O sector segurador angolano recebeu 318 reclamações no primeiro semestre de 2026, o equivalente à grande maioria das 350 queixas registadas junto da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG) no período.
Os dados constam do Relatório sobre a Gestão de Reclamações, apresentado esta quarta-feira em Luanda.
A ENSA Seguros, a Sanlam Allianz e a Nossa Seguros aparecem no topo da lista das seguradoras mais visadas.
O técnico da ARSEG, Bráulio Cristóvão, explicou que este resultado está associado à própria dimensão destas empresas: sendo das maiores a operar no mercado, é natural que concentrem um número mais elevado de queixas. Por outro lado, destacou, essas mesmas seguradoras conseguiram taxas de resolução superiores a 90%, um desempenho acima da média do sector.
“Não obstante a questão do volume de reclamação, o mais importante é a questão do tratamento, a forma como se resolve”, resumiu o técnico, ao comentar os números.
De um modo geral, a taxa de resolução das reclamações no sector fixou-se em 77%. Entre as causas mais frequentes das queixas estão os atrasos no pagamento de indemnizações e na regularização de sinistros, deficiências na comunicação entre seguradoras e clientes, e situações de incumprimento contratual.
Para Bráulio Cristóvão, parte do problema decorre também do desconhecimento dos consumidores: muitos tomadores de seguros ignoram que existe um centro de reclamações e a figura do provedor do cliente, o que reflecte um nível ainda baixo de literacia financeira no país. Por isso, defendeu que as seguradoras devem apostar em informação mais clara no momento da contratação e incluir o tema da gestão de reclamações na formação dos mediadores.
“Se garantirmos que os consumidores saibam como funcionam os produtos, o aspecto de reclamação será mais qualitativo do que quantitativo”, acrescentou, frisando que essa é uma responsabilidade que cabe tanto ao regulador como às próprias empresas do sector.
Na apresentação do relatório, a ARSEG voltou a posicionar-se como mediadora imparcial entre seguradoras e consumidores, apelando às entidades supervisionadas para que tratem as reclamações com maior transparência, de modo a reforçar a confiança do mercado.



