Os balancetes referentes ao segundo trimestre do corrente ano revelam profundas assimetrias entre as vinte instituições financeiras a operar no sistema bancário angolano.
O Banco Angolano de Investimentos (BAI) mantém-se na dianteira em três das seis rubricas analisadas, activos, crédito e depósitos, ao passo que o Banco de Fomento Angola (BFA) se impõe em lucros e em títulos e valores mobiliários.
De acordo com os números apurados, o BAI totaliza 5.333.756 milhões de kwanzas em activos, o que representa um crescimento de oito por cento relativamente ao período homólogo.
Em segundo lugar surge o BFA, com 4.506.073 milhões de kwanzas, mais onze por cento, seguindo-se o Banco Millennium Atlântico (BMA), com 2.601.368 milhões de kwanzas, registando este último a subida mais expressiva entre as grandes instituições, vinte e seis por cento. No extremo oposto da tabela, entre os bancos de menor dimensão, figura o African Bank of Oman (ABO), cujos activos não ultrapassam os 24.801 milhões de kwanzas.
No que respeita à concessão de crédito à economia, o BAI reafirma a sua posição cimeira, com 1.365.973 milhões de kwanzas, traduzindo um crescimento assinalável de quarenta e cinco por cento. Segue-se o BFA, com 874.954 milhões de kwanzas.
Já em matéria de depósitos, o BAI regista 4.104.910 milhões de kwanzas, mais sete por cento, superando novamente o BFA, com 3.455.452 milhões.
Curiosamente, no capítulo dos títulos e valores mobiliários, a hierarquia inverte-se, é o BFA quem assume a liderança, com 2.053.870 milhões de kwanzas, mais quinze por cento, ultrapassando o BAI, que, não obstante manter a segunda posição, viu esta rubrica recuar quatro por cento, para 1.910.974 milhões.
Motivo de particular preocupação é a situação do Banco Económico (BE), o único, entre os vinte bancos analisados, a apresentar fundos próprios negativos, na ordem dos 638.524 milhões de kwanzas, num contraste acentuado com o desempenho do BAI, líder desta categoria com 798.036 milhões de kwanzas, mais vinte e seis por cento.
Relativamente aos lucros, o BFA suplanta o BAI, tendo apurado 117.337 milhões de kwanzas, mais dois por cento, contra os 116.919 milhões do BAI, que regista, aliás, uma quebra de trinta e quatro por cento face ao período anterior.
Do lado dos prejuízos, destaca-se o ABO, com um resultado negativo de 2.292 milhões de kwanzas.
Em suma, os balancetes do segundo trimestre confirmam aquilo que tem sido a tónica dominante do sector financeiro nacional, uma concentração significativa de activos, crédito e depósitos nas mãos de um reduzido número de instituições, nomeadamente BAI e BFA, enquanto bancos como o African Bank of Oman (ABO), o Banco Comercial do Huambo (BCH) e o Banco da China Limitada, Sucursal em Luanda (BOCLB), continuam a operar com valores residuais na generalidade dos indicadores.



