A agência norte-americana DFC assegura 553 milhões de dólares, quase três quartos do total. O dinheiro destina-se à modernização de cerca de 1.300 quilómetros de linha férrea entre o Porto do Lobito e o Luau.
O Corredor do Lobito já mobilizou 753 milhões de dólares em financiamento, na sequência da iniciativa de promoção do seu potencial, apresentada durante as últimas reuniões de Primavera e anuais do Banco Mundial e do FMI.
O montante é assegurado pela US International Development Finance Corporation (DFC), com 553 milhões de dólares, e pelo Banco de Desenvolvimento da África Austral (DBSA), com 200 milhões, e tem como beneficiária a Lobito Atlantic Railway (LAR), concessionária responsável pela exploração da linha ferroviária.
O acordo com a DFC foi assinado a 17 de Dezembro de 2025, numa cerimónia em Washington. Segundo o Ministério dos Transportes, o fecho financeiro concretiza os acordos celebrados nessa altura.
A operação é a primeira transacção entre Angola e a DFC e o maior financiamento alguma vez concedido por esta instituição em África no sector dos transportes.
Os recursos vão financiar uma intervenção profunda na infra-estrutura, abrangendo a via-férrea, as oficinas, os sistemas de sinalização e o material circulante.
De acordo com a DFC, a modernização vai multiplicar por dez a capacidade de carga, para 4,6 milhões de toneladas, e reduzir até 30% o custo do transporte de minerais. Um dos objectivos é encurtar o tempo de escoamento das matérias-primas até à costa atlântica, de cerca de 45 dias por estrada para menos de dois dias por comboio.
A LAR, formada pela portuguesa Mota-Engil, pela Trafigura, sediada em Singapura, e pela belga Vecturis, obteve em 2022 a concessão da linha de Benguela por 30 anos. A Mota-Engil detém 49,5% da concessionária.
O Corredor do Lobito é um projecto liderado pelos Estados Unidos, que pretende ligar as minas de minerais críticos da RDC e da Zâmbia, países sem acesso ao mar, à costa atlântica.
A DFC assume que o investimento tem também uma dimensão geoestratégica: garantir cadeias de abastecimento e travar a influência de concorrentes, com a China apontada como a principal preocupação.



