O maior banco privado cotado na BODIVA abre concurso para subcontratar a vigilância dos seus sistemas. A aposta num modelo gerido mostra que a defesa contra ciberataques passou a ser tratada como uma questão de gestão de risco, e não apenas de informática.
O Banco Angolano de Investimentos (BAI) quer entregar a um parceiro externo a linha da frente da sua defesa digital. O banco lançou um concurso público para a contratação de serviços de Centro de Operações de Segurança (SOC) em regime de SOC as a Service (SOCaaS).
A escolha confirma uma tendência que começa a ganhar corpo no sistema financeiro angolano: a cibersegurança está a deixar de ser feita apenas com recursos internos.
A lógica é sobretudo económica. Montar um centro de operações de segurança próprio exige investimento pesado em tecnologia e, acima de tudo, em quadros especializados. Esse perfil é escasso no mercado nacional e disputado internacionalmente. No modelo gerido, o banco paga pelo serviço e pelos resultados, transferindo para o fornecedor o esforço de manter equipas e ferramentas actualizadas.
O caderno de requisitos, publicado a 28 de Setembro, deixa claro o que o BAI espera. Pede monitorização contínua do ambiente tecnológico, gestão centralizada de eventos e incidentes e identificação proactiva de ameaças e vulnerabilidades. Mas o ponto mais revelador está nas métricas.
O banco exige menos falsos positivos, cumprimento de níveis de serviço (SLA) e redução do tempo médio de detecção (MTTD) e de resposta a incidentes. Ou seja, o contrato será avaliado pela rapidez com que os ataques são identificados e travados, e não apenas pela existência de sistemas de protecção.
A pressão sobre a banca é crescente. A expansão dos pagamentos electrónicos, do mobile banking e dos serviços digitais alargou a superfície de exposição das instituições. Para um banco cotado em bolsa, um incidente grave deixou de ser apenas um problema operacional. Passou a ser também um risco reputacional e de mercado.
Os interessados devem consultar o caderno de encargos no portal institucional do BAI, onde está fixado o prazo de entrega das propostas. O anúncio não revela o valor estimado do contrato nem a sua duração.



