A Sonangol, E.P. encaixou AOA 335,6 mil milhões em dividendos de empresas participadas no primeiro semestre de 2025, num portfólio que vai do gás natural liquefeito à banca portuguesa, passando pela refinação e pela construção naval.
Os números das demonstrações financeiras intercalares do Grupo revelam uma carteira geograficamente diversificada, com Lisboa a assumir um peso crescente nas receitas não operacionais da petrolífera estatal angolana. Três activos concentram 88% do total recebido. Eis o ranking.
1.º ANGOLA LNG LIMITED — AOA 151,8 MIL MILHÕES
A operação de gás natural liquefeito mantém-se no topo da tabela como o activo mais rentável do semestre. Ainda assim, o valor recuou significativamente face aos AOA 273,8 mil milhões do exercício completo de 2024, reflectindo a sazonalidade da distribuição neste tipo de consórcio.
A Angola LNG continua a ser, de forma destacada, o maior gerador individual de dividendos para a Sonangol.
2.º MILLENNIUM BCP — AOA 91,5 MIL MILHÕES
A grande surpresa do semestre. O banco português mais do que duplicou os dividendos distribuídos à Sonangol face ao exercício completo de 2024, quando transferiu AOA 47,2 mil milhões.
A Sonangol é o segundo maior accionista do BCP, com uma participação de 19,49%.  O desempenho excecional desta participação reforça o argumento interno de manutenção dos activos portugueses no portfólio, numa altura em que a Sonangol confirma publicamente não pretender alienar qualquer das suas posições em Portugal.
3.º ESPERAZA HOLDING BV — AOA 53,8 MIL MILHÕES
A Esperaza é uma holding de direito neerlandês e o veículo de acesso indirecto da Sonangol à Galp Energia, petrolífera cotada em Lisboa.
Após a recente redução de capital da Galp, a Esperaza Holding BV passou a deter 16,9% da petrolífera portuguesa, integrada na Amorim Energia que controla 37,5% da Galp no total. 
A Sonangol é detentora a 100% da Esperaza desde 2021, quando um tribunal arbitral nos Países Baixos declarou nula a transferência de 40% das suas acções para a Exem Energy, empresa de Isabel dos Santos, considerando que a transacção beneficiou os seus proprietários em detrimento da petrolífera angolana.
Trata-se do melhor investimento feito pelo Estado angolano no exterior. A Amorim Energia acumulou mais de 2.090 milhões de euros em dividendos recebidos da Galp desde 2005, cabendo à Esperaza 45% desse valor. Caso a Sonangol vendesse hoje a sua participação indirecta na Galp, obteria uma mais-valia potencial estimada em 2.615 milhões de euros. 
Só pelos lucros de 2024, a Sonangol recebeu 77,3 milhões de euros pela participação indirecta na Galp, via Esperaza, tornando Angola a segunda maior geografia receptora de dividendos das cotadas portuguesas, a seguir à China. 
Para o exercício de 2025, a Galp aprovou um dividendo total de 0,64 euros por acção, incluindo um adiantamento intercalar de 0,31 euros por acção distribuído em Agosto de 2025, complementado por um programa de recompra de acções de 250 milhões de euros. 
A Sonangol confirmou que pretende manter os investimentos em Portugal, classificando-os como activos estratégicos que ajudam a reduzir a exposição a choques no sector petrolífero e a garantir retornos consistentes fora de Angola. 
4.º PAENAL — AOA 27,4 MIL MILHÕES
A empresa de construção e reparação naval angolana afirma-se como a maior contribuição de origem doméstica no portfólio de participadas da Sonangol, com AOA 27,4 mil milhões distribuídos no semestre.
5.º PETROMAR, SNL CABO-VERDE E ENCO — AOA 6,7 MIL MILHÕES
A fechar o top, a Petromar contribuiu com AOA 4,4 mil milhões, a SNL Cabo-Verde com AOA 1,5 mil milhões e a Enco com AOA 924 milhões. Juntas, estas três participadas somaram AOA 6,7 mil milhões no semestre.
❌ DE FORA DO PÓDIO
Sem qualquer distribuição no semestre ficaram a Unitel, a Sonagalp, a Sonils, a PT Ventures, a Societe Ivoirienne de Raffinage e a Sonadiets — todas com dividendos nulos no período, ao contrário do registado em 2024.



