O Mundial de 2026, a disputar-se entre 11 de Junho e 19 de Julho, reúne 48 selecções e o mesmo número de treinadores principais.
A competição é uma boa oportunidade para comparar quanto ganham os técnicos das equipas africanas classificadas em relação aos seus colegas dos outros continentes.
A resposta directa: nenhum treinador a trabalhar em África está entre os mais bem pagos da competição. As condições são dignas, mas longe dos salários praticados na Europa e nas Américas.
Como referência, o italiano Carlo Ancelotti, a comandar o Brasil, recebe cerca de € 9,6 milhões por ano — muito acima do alemão Thomas Tuchel (Inglaterra, € 5,8 milhões), do argentino Mauricio Pochettino (Estados Unidos, € 5,3 milhões) e do também alemão Julian Nagelsmann (Alemanha, € 4,9 milhões).
Já o francês Didier Deschamps, que vai deixar o comando da selecção francesa depois do Mundial, ganha € 3,9 milhões por ano. Estes valores são brutos e não incluem prémios, direitos de imagem ou outros benefícios.
Em África, quem ganha mais é o suíço Vladimir Petkovic, no comando da Argélia desde 2024.
Renovou recentemente o contrato até 30 de Junho de 2028 e aproveitou para negociar um aumento: passou de € 135.000 para € 150.000 mensais, sem contar prémios. O seu antecessor, Djamel Belmadi, recebia € 205.000 — valor que mostra a boa saúde financeira da federação argelina.
A seguir vem o português Carlos Queiroz, contratado pelo Gana em Abril, com vínculo até ao fim de Julho. O técnico, natural de Nampula, Moçambique, e que já passou por Real Madrid, Manchester United, Qatar e Irão, recebe um salário mensal estimado em € 87.000, além de prémios.
Em terceiro lugar, empatados, estão o belga Hugo Broos, hoje a treinar a África do Sul, e o marfinense Emerse Faé, campeão africano à frente da Costa do Marfim, ambos com € 75.000 por mês. Segue-se o marroquino Mohamed Ouahbi, que assumiu a selecção de Marrocos semanas depois da Taça das Nações Africanas de 2025, sucedendo a Walid Regragui.
Ouahbi ganha cerca de € 55.000 mensais, pouco mais do dobro do que recebia ao comandar a selecção sub-20 marroquina — com a qual conquistou o Mundial Sub-20 no Chile em 2025. Ainda assim, o seu salário é inferior ao do antecessor, estimado em € 70.000.
O francês Sébastien Desabre, à frente da República Democrática do Congo desde Agosto de 2022, levou a equipa a uma fase final que o país não disputava desde 1974. Muito popular no país, o ex-treinador de Uganda tem contrato até 2029 e recebe, segundo estimativas, cerca de € 45.000 por mês.
Isto representa 30% mais do que ganham Hossam Hassan e Sabri Lamouchi, respectivamente no Egipto e na Tunísia. A federação egípcia, que já foi generosa com técnicos estrangeiros, optou pela moderação ao contratar o ex-jogador da selecção (176 jogos pelos Faraós): € 30.000 mensais. É o mesmo valor recebido por Lamouchi, francês de origem tunisina, que fechou contrato por um pouco menos do que os € 35.000 inicialmente pedidos.
Na base da tabela salarial estão o senegalês Pape Thiaw e o cabo-verdiano Pedro Leitão Brito, conhecido como Bubista — o primeiro recebe € 20.000 por mês, o segundo, cerca de € 10.000.
A situação de Thiaw gerou tensão no início da preparação dos Leões de Teranga para o Mundial: sem contrato nem salário definido desde o fim de Fevereiro, o treinador chegou a ameaçar não viajar com a equipa para os Estados Unidos.
Um telefonema do presidente Bassirou Diomaye Faye foi decisivo para o convencer a embarcar. Segundo informações, a federação acabou por oferecer um aumento significativo, elevando o seu salário para € 45.700.



