O Banco de Fomento Angola confirma-se, uma vez mais, como o mais rentável dos activos que o grupo português BPI mantém fora de portas, muito embora o seu contributo para as contas do accionista lisboeta continue a diminuir, reflexo da progressiva redução da posição accionista detida pelo banco português na instituição angolana.
Segundo os resultados do primeiro trimestre do corrente ano, o BFA gerou, por si só, 42 milhões de euros para as contas do BPI, uma quebra homóloga de 9 por cento, valor que compara com um contributo conjunto de 43 milhões de euros quando somado o Banco de Comércio e Indústria (BCI), instituição moçambicana que constitui o outro activo internacional do grupo.
Já no exercício de 2025, o banco angolano tinha registado um contributo em crescimento de 4 por cento, alcançando os 43 milhões de euros, evolução que contrastou com a quebra a metade do contributo do BCI moçambicano, penalizado por imparidades associadas ao agravamento da notação de risco do país.
O panorama alterou-se, todavia, no primeiro semestre do corrente ano, quando o contributo conjunto das duas participações internacionais recuou para apenas 18 milhões de euros. Importa, porém, sublinhar que tal quebra não traduz um enfraquecimento do desempenho do BFA, mas sim um efeito contabilístico extraordinário registado na posição do BCI, cuja reclassificação penalizou as contas em 35 milhões de euros.
O banco angolano manteve, assim, o seu lugar como o activo internacional mais valioso do grupo BPI, ainda que o seu peso relativo continue a diminuir.
Tal diminuição decorre, em larga medida, da alienação parcial que o BPI promoveu no capital do BFA em Setembro do ano transacto.
Através de Oferta Pública de Venda lançada na Bolsa de Valores de Angola — a maior operação de sempre realizada no mercado de capitais do país, com a procura a exceder em cinco vezes a oferta disponibilizada, o banco português alienou 14,75 por cento do capital do BFA, reduzindo a sua posição de 48,1 para 33,35 por cento e encaixando cerca de 103 milhões de euros.
A operação, integrada no plano de privatizações angolano PROPRIV 2023-2026, permitiu ao Estado angolano e a novos investidores locais — de que se destaca o Grupo Carrinho, que adquiriu 7,6 por cento do capital — reforçar a sua presença no maior banco do país.
O encaixe da referida venda não se encontra, aliás, ainda totalmente concluído. Segundo confirmou a administração do BPI, o pagamento tem sido processado de forma faseada, em virtude das dificuldades do sistema financeiro angolano em movimentar divisas para o exterior, até à apresentação dos resultados do primeiro trimestre, apenas metade do valor acordado se encontrava efectivamente recebido, aguardando-se a liquidação da parte remanescente, bem como de dividendos de exercícios anteriores do BFA, até ao termo do corrente ano.
A liderança do BPI tem feito questão de sublinhar que a posição remanescente no BFA não reveste carácter estratégico, tratando-se antes de uma participação financeira histórica, herdada de um tempo em que o banco português chegou a deter o controlo efectivo da instituição angolana, situação que se alterou em 2017, na sequência de recomendações do Banco Central Europeu no sentido da redução da exposição a Angola.
Ainda assim, e apesar do desinvestimento parcial, o BFA continua a figurar como um dos activos mais rentáveis do grupo, com uma rendibilidade de capitais próprios próxima dos 30 por cento, e a sua contribuição continua a pesar de forma decisiva nas contas apresentadas em Lisboa.



