Angola e a Tanzânia avançam para a interligação das linhas férreas de Benguela e do TAZARA, através do designado Corredor de Lobito, projecto que visa, no essencial, unir o Oceano Atlântico ao Oceano Índico e que coloca os dois países na centralidade de uma nova rota comercial de dimensão transcontinental.
A proposta foi um dos pontos altos da recente visita oficial da Presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, a território angolano, deslocação de que resultou ainda a assinatura de acordos nas áreas da defesa, do investimento e do comércio bilateral.
Para a parte tanzaniana, a lógica que preside a este projecto reveste carácter eminentemente estratégico. Ligada à fachada atlântica angolana através da linha de Benguela, e servida pelo TAZARA na sua vertente oriental, a Tanzânia passa a dispor de um ponto de ancoragem na extremidade ocidental de uma rota que atravessa o continente de mar a mar. Mais do que isso, o corredor abre aos países vizinhos, desprovidos de litoral, uma segunda via de escoamento para os mercados internacionais, reduzindo a dependência de rotas alternativas, tradicionalmente mais longas e onerosas.
A concretizar-se nos moldes anunciados, o Corredor de Lobito poderá transformar-se num dos mais relevantes eixos de integração económica da região austral e oriental de África, com Angola a posicionar-se como charneira entre dois oceanos.
Importa recordar que este projecto ferroviário surge enquadrado numa relação bilateral em franco reforço, cujas raízes remontam às lutas de libertação nacional em África.
A cooperação entre os dois países tem-se estendido, nos últimos tempos, aos sectores do turismo, da mineração e do petróleo e gás, ainda que o comércio bilateral permaneça, segundo dados de 2024, aquém do potencial que ambas as economias reconhecem existir — as exportações tanzanianas para o mercado angolano cifraram-se, nesse ano, em cerca de 4,4 milhões de dólares norte-americanos.
Refira-se, por último, que o Presidente João Lourenço aceitou o convite para uma visita de Estado recíproca à Tanzânia, deslocação que deverá servir de nova plataforma para o avanço de projectos como o Corredor de Lobito, dando corpo económico concreto a uma relação até agora sustentada, sobretudo, em solidariedade histórica.



