Uma garantia de financiamento da agência de crédito à exportação alemã Euler Hermes veio destravar aquele que é um dos mais ambiciosos projectos do sector das águas alguma vez lançados em Angola.
O Projecto Quilonga Grande, que estivera parado cerca de oito anos por falta de financiamento, prevê uma capacidade de produção de 518 mil metros cúbicos de água por dia, devendo beneficiar cerca de cinco milhões de habitantes das províncias de Luanda e Icolo e Bengo.
A infra-estrutura, adjudicada pela Empresa Pública de Águas (EPAL-EP) e inserida no Plano Director Nacional de Abastecimento de Água, contempla a construção de 107 quilómetros de condutas adutoras, a instalação de novos centros de distribuição e a edificação de uma reserva superior a 185 mil metros cúbicos de água tratada.
A captação será feita no rio Kwanza, a cerca de 50 quilómetros de distância dos centros de tratamento.
A execução dos lotes Q2, Q6 e Q7 está a cargo de um consórcio internacional constituído pelas empresas CNT BAU GmbH, GAUFF GmbH & Co. Engineering KG, Casais Angola e Opaia, orçado em mais de 357 milhões de euros. É precisamente o financiamento destas empreitadas que conta agora com a garantia da Euler Hermes, através de uma linha de crédito do Banco Standard Chartered.
Refira-se que a gestão e coordenação técnica de outros lotes do empreendimento (Q1, Q3 e Q10) foi, por seu turno, entregue por ajuste directo à empresa Gemcorp, que mantém relações contratuais com o Estado angolano desde 2015.
Segundo o Ministério da Energia e Águas, o sistema Quilonga Grande deverá começar a distribuir água de forma faseada a partir do final de 2026, integrando-se no esforço mais amplo de duplicação da capacidade de abastecimento à Grande Luanda, a par do Projecto Bita.



