Os cinco presidentes executivos dos maiores bancos portugueses receberam, em conjunto, cerca de 7,4 milhões de euros em 2025 — mais 17% do que no ano anterior —, num reflexo directo dos lucros históricos registados pelo sector financeiro.
O irlandês Mark Bourke, que chefia o Novobanco desde 2022, foi o banqueiro mais bem remunerado em Portugal: levou para casa aproximadamente 2,4 milhões de euros, o que representa um aumento de 78% face a 2024.
O seu salário fixo cresceu quase 40%, o bónus mais do que duplicou — ultrapassando 1,1 milhões de euros — e ainda recebeu um subsídio de expatriado de 300 mil euros. Bourke vai manter o cargo após a venda do banco ao grupo francês BPCE, concluída por 6,4 mil milhões de euros.
Em segundo lugar ficou Miguel Maya, presidente do BCP, com remunerações a rondar os 1,7 milhões de euros, uma subida de 10%. Maya foi reconduzido no cargo por mais um mandato de três anos à frente do maior banco privado do país.
O pódio fecha com Pedro Castro e Almeida, que saiu do Santander Portugal no início de março.
As suas remunerações mantiveram-se próximas dos 1,3 milhões de euros — 850 mil fixos e 462 mil em prémios de anos anteriores. Cedeu o lugar a Isabel Guerreiro, a primeira mulher a liderar um grande banco em Portugal.
João Pedro Oliveira e Costa, do BPI, viu a sua remuneração cair 8,5%, para 1,16 milhões de euros. O salário fixo ficou nos 825 mil euros, mas o bónus recuou quase 30%.
O líder da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, foi o menos remunerado do grupo: 964 mil euros. Ainda assim, o banco público — o maior do sistema financeiro nacional — registou lucros de quase dois mil milhões de euros em 2025.
Bónus sobem, salários fixos estabilizam
No conjunto das comissões executivas dos cinco bancos, as remunerações totais chegaram aos 29,7 milhões de euros, mais 10% do que em 2024. Os bónus foram o principal motor deste crescimento, ao subirem 16% para 12,2 milhões de euros — o equivalente a mais de 40% da remuneração total. Os salários fixos estabilizaram nos 15 milhões de euros.
O Novobanco e o BCP foram os bancos com maiores encargos com as respectivas administrações: mais de 7 milhões de euros em cada caso. No Novobanco, a factura disparou 42%, com os prémios a crescerem quase 90% — depois de terem estado proibidos durante o período de reestruturação da instituição.
Na CGD, as remunerações dos administradores subiram 11%, para mais de 6,3 milhões de euros, num ano marcado pela renovação da equipa de gestão. O BPI e o Santander Portugal pagaram 4,5 e 4,3 milhões às suas comissões executivas, respectivamente, valores abaixo dos de 2024.
Presença angolana reduzida
No que diz respeito a Angola, a banca portuguesa reduziu significativamente a sua exposição ao mercado angolano. A CGD é o único banco que mantém controlo maioritário de uma entidade local, o Banco Caixa Geral Angola.
O BCP e o BPI detêm participações minoritárias no Banco Millennium Atlântico e no Banco de Fomento Angola, respectivamente. O Novo Banco tem uma participação minoritária no Banco Económico. O Montepio abandonou o mercado angolano.


