O Equity Group, um dos maiores grupos bancários de África, identificou Angola como mercado prioritário de expansão e está em negociações avançadas para adquirir uma participação maioritária num banco angolano ainda não identificado publicamente, com conclusão prevista ainda em 2026.
O sector bancário angolano continua fortemente concentrado no financiamento empresarial ligado ao petróleo, com o Banco Angolano de Investimentos, o Banco de Fomento Angola e os bancos de capitais portugueses a dominarem os negócios de maior envergadura, deixando de fora vastas camadas da população.
O banco aponta para três lacunas estruturais: o grande sector informal, o financiamento insuficiente às PMEs e as populações rurais que permanecem excluídas dos sistemas bancários formais. Além da banca de retalho, o Corredor do Lobito, apoiado pelos Estados Unidos, e os cinturões mineiros são apontados como vectores de crescimento de longo prazo, com o grupo a seguir as rotas comerciais de terras raras e metais críticos que atravessam o continente. 
“Identificámos estas lacunas há 30 anos. É por isso que nos diferenciámos e nos concentrámos na inclusão daqueles que antes não tinham acesso a serviços bancários”, afirma James Mwangi, presidente do Equity Bank, que vê em Angola as mesmas condições que outrora existiram no Quénia — e que o banco soube transformar em oportunidade.
A escolha de Angola resulta igualmente de uma reorientação estratégica após prolongados obstáculos regulatórios na Etiópia, onde as regras de propriedade estrangeira impediram a entrada do grupo.  O Equity Group, que actualmente opera em sete mercados, planeia expandir-se para até 15 países até 2030, começando por Zâmbia, Moçambique e Angola. 
O grupo chega a Angola na sua melhor forma financeira de sempre, tendo registado um crescimento de 55% no lucro após impostos em 2025, atingindo cerca de 580 milhões de dólares, com os subsidiários regionais a representarem já quase metade da rentabilidade bancária do grupo. 



