O último pagamento foi efectuado a 15 de Abril de 2026, conforme confirmação do Ministério das Finanças da Namíbia. Com isso, o empréstimo de Facilidade de Rápido Financiamento contraído junto ao FMI ficou integralmente liquidado. 
Tudo começou durante a pandemia de Covid-19. Na altura, a Namíbia, país vizinho de Angola a sul, enfrentava receitas em queda, despesas a subir e pressão crescente sobre as contas externas do país. O empréstimo foi concedido em condições favoráveis, com prazo de cinco anos e taxa de juro de aproximadamente 1,1%. Mais de 80 países acederam a recursos de emergência semelhantes durante a pandemia. A maioria ainda está a pagar. A Namíbia não. 
O reembolso totalizou 23,887 milhões de dólares. O governo namibiano enquadra o pagamento como parte de uma estratégia de consolidação fiscal orientada para reduzir a dependência de empréstimos externos e reforçar a estabilidade das finanças públicas. 
Este não foi o único marco recente do país. Em Outubro de 2025, a Namíbia já havia resgatado integralmente um Eurobónus de 750 milhões de dólares emitido em 2015, operação financiada maioritariamente através de um fundo de amortização e de bancos locais.  Com os dois pagamentos combinados, cerca de 88% da dívida do país passou a ser doméstica e apenas 12% externa, o que reduz o risco cambial e diminui a exposição a choques financeiros internacionais. 
A Namíbia junta-se assim a um grupo de países africanos que zeraram os seus saldos junto ao FMI. Moçambique fez o mesmo, ao liquidar aproximadamente 701 milhões de dólares junto ao Fundo até 31 de Março de 2026. 
De acordo com dados do FMI de Maio de 2026, vários países africanos mantêm níveis baixos de endividamento junto à instituição.
O Lesoto lidera a lista com apenas 10,494 milhões de dólares, seguido do Djibuti com 25,44 milhões, das Comores com 25,8 milhões, de São Tomé e Príncipe com 30,3 milhões e da Guiné Equatorial com 31,3 milhões.
A Guiné-Bissau regista 56,3 milhões, Cabo Verde 79,5 milhões, o Burundi 100,1 milhões, as Seicheles 103,8 milhões e a Somália 116,3 milhões de dólares.



