O projecto angolano de Longonjo, no Huambo, está entre os beneficiários do financiamento que a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC) tem canalizado para a exploração de terras raras em África, num contexto em que os investidores privados continuam relutantes em apostar no sector, segundo revelaram à Reuters dois responsáveis seniores da agência norte-americana.
A DFC já comprometeu um total de 62,8 milhões de dólares para projectos de terras raras em quatro países africanos — Malawi, Angola, Madagáscar e África do Sul —, embora nenhum tenha ainda entrado em produção.
O projecto angolano, desenvolvido pela britânica Pensana através da sua subsidiária local Ozango Minerais, já recebeu directamente da DFC um subsídio de assistência técnica de 3,4 milhões de dólares, destinado a financiar estudos de viabilidade para a duplicação da capacidade da mina de Longonjo e para o desenvolvimento de uma unidade de refinação em Angola.
Localizado a cerca de 60 quilómetros a oeste do Huambo e junto ao Corredor do Lobito, o projecto de Longonjo já garantiu, em Março de 2025, um financiamento total de 268 milhões de dólares para a sua primeira fase de desenvolvimento — verba composta por um empréstimo sindicado de 160 milhões de dólares, liderado pela Africa Finance Corporation (AFC) e pelo Standard Bank sul-africano Absa, bem como por investimentos do Fundo Soberano de Angola (FSDEA). A mina prevê produzir, em média, 20 mil toneladas anuais de carbonato de terras raras misto e criar mais de 430 postos de trabalho.
Segundo um dos responsáveis da DFC, ouvido pela Reuters sob anonimato, a agência norte-americana “não vê a entrada de capital privado” no sector e está, por isso, “a tentar ajudar os projectos a atingirem um estágio com menos riscos e a tornarem-se atraentes para o investimento do sector privado”.
Os dois executivos reconheceram, num raro reconhecimento público, que os investidores privados continuam, em grande parte, relutantes em financiar projectos de terras raras em África, apesar da sua importância estratégica para reduzir a dependência dos Estados Unidos face à China — o principal produtor mundial, que tem intensificado os controlos às exportações nos últimos dois anos.
As terras raras são essenciais para os ímanes utilizados em veículos eléctricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa. Washington tem recorrido cada vez mais à DFC para ajudar a desenvolver cadeias de fornecimento de minerais críticos alinhadas com os interesses ocidentais.
Ainda assim, um dos responsáveis da agência admitiu que os investidores privados permanecem cautelosos face aos projectos africanos, devido ao seu perfil de risco mais elevado e ao receio de que a intervenção chinesa no mercado possa pressionar os preços e comprometer a viabilidade económica destes empreendimentos.
Segundo Olimpia Pilch, responsável de estratégia do grupo Critical Minerals Africa, “há muito mais projectos de terras raras anunciados do que procura por ímanes de neodímio-praseodímio” — precisamente os elementos identificados em Longonjo. África representa actualmente entre 20% a 25% do portefólio global de investimentos da DFC, segundo um dos executivos da agência.



