O banco ganhou 117,3 mil milhões Kz no primeiro semestre, mais 1,6% do que há um ano. As receitas cresceram muito mais, mas o aumento das provisões e dos custos comeu quase todo o ganho. O crédito à economia voltou a recuar.
O Banco de Fomento Angola (BFA) fechou o primeiro semestre de 2026 com um lucro líquido de 117,3 mil milhões Kz. São mais 1,6% do que nos primeiros seis meses de 2025, segundo o comunicado divulgado pelo banco a 28 de Setembro.
O valor contrasta com a evolução das receitas. O produto bancário subiu 18,5%, para 248,9 mil milhões Kz, mas quase nada desse crescimento chegou à última linha da conta de resultados.
A margem financeira continua a ser o motor do negócio, com 189,5 mil milhões Kz (+14,7%).
Os títulos voltaram a pesar mais do que o crédito: os proveitos com títulos aumentaram 34,5%, enquanto os juros do crédito subiram apenas 8,9%. A margem complementar cresceu mais depressa, 32,5%, para 59,4 mil milhões Kz. Contribuíram as comissões líquidas, que subiram 21,8%, e os resultados cambiais, que aumentaram 41,5%.
O que separa receitas de lucro está do lado das despesas. Os custos de estrutura aumentaram 17%, para 94,7 mil milhões Kz. Os fornecimentos e serviços de terceiros subiram 22,4% e os custos com pessoal 8,1%. Como as receitas cresceram mais depressa do que os custos, o rácio cost-to-income ficou em 38%.
As provisões e imparidades chegaram aos 18,7 mil milhões Kz, depois de um aumento de 14,2 mil milhões Kz. O banco apresenta esta despesa como prudência. Lembra que o crédito vencido representa apenas 1,6% da carteira e que as imparidades cobrem esse crédito em 514,4%.
No balanço repete-se um padrão conhecido da banca angolana. Os recursos de clientes subiram 7,6% face a Dezembro, para 3 455,5 mil milhões Kz, mais 244,7 mil milhões Kz.
O crédito líquido a clientes caiu 2,5%, para 868,7 mil milhões Kz. O activo líquido cresceu 5,3%, puxado pelos investimentos e activos financeiros (+13,8%) e pelas aplicações em bancos centrais e outras instituições de crédito (+19,8%). Ou seja, o BFA capta cada vez mais poupança, mas canaliza-a sobretudo para títulos e aplicações interbancárias, e não para empresas e famílias. Isto acontece num semestre em que o banco usou como lema o “apoio à economia angolana”.
O rácio de fundos próprios regulamentares, de 39,7%, é quase cinco vezes o mínimo de 8%. Mostra uma almofada de capital que dava margem para emprestar mais. A rentabilidade continua elevada, com um ROE de 29,6% e um ROA de 5,4%.
O banco ganhou 136 843 clientes desde Dezembro e chegou aos 3,65 milhões, servidos por 184 balcões. A adopção dos canais digitais continua baixa: só 9,2% dos clientes usam o BFA Net. A penetração dos cartões de débito é de 55,6%. No semestre, o banco investiu cerca de 800 milhões Kz em formação, em 192 acções com um total de 30 473 horas.
Luís Gonçalves, presidente da Comissão Executiva, diz que os números mostram “uma notável capacidade de adaptação” do banco “num contexto económico desafiante”. O desafio para o segundo semestre é transformar o crescimento das receitas em lucro e a liquidez acumulada em crédito.



