O Grupo Absa está a estudar a abertura de um escritório de representação em Angola, naquele que seria o regresso do banco sul-africano ao mercado angolano quase 20 anos depois de o ter deixado.
O anúncio foi feito pelo Presidente Executivo do grupo, Kenny Fihla, em entrevista à Bloomberg, na sequência da divulgação dos resultados do primeiro semestre de 2026.
Segundo Fihla, a aposta em Angola é “crítica” para o negócio de banca corporativa e de investimento (CIB) do grupo. “Mesmo que não tenhamos uma licença bancária completa, se tivermos presença no país, seremos capazes de identificar oportunidades de comércio e desenvolver algumas actividades de mercados globais”, afirmou o gestor.
O interesse por Angola surge integrado numa estratégia mais ampla de diversificação geográfica do Absa, que procura reduzir a sua dependência da África do Sul, responsável por 72% dos lucros do grupo no semestre encerrado em Junho — uma concentração que Fihla identifica como um risco, sobretudo devido ao desempenho fraco do portefólio africano do banco, particularmente nas áreas de banca corporativa, de investimento e empresarial.
Segundo a Bloomberg, o grupo prevê expandir a sua actividade em 14 outras jurisdições africanas, com destaque também para a integração da unidade de banca privada e retalho adquirida ao Standard Chartered no Uganda em 2024, a conclusão prevista até ao final do ano, e a avaliação de uma licença de banca mercantil na Nigéria.
O Absa abriu ainda um novo escritório no Dubai em Abril. Fihla mencionou também a Zâmbia e a Tanzânia como outros mercados com potencial de crescimento.
A expansão surge num momento de resultados recorde para o grupo: o Absa reportou um lucro líquido de 12,58 mil milhões de rands no primeiro semestre de 2026, mais 12% face aos 11,23 mil milhões de rands do período homólogo — um desempenho suportado sobretudo pelo mercado sul-africano, precisamente a concentração que a nova estratégia de diversificação procura corrigir.



