Em Nova Iorque, Lima Massano apresentou a investidores internacionais os resultados das reformas: sector não petrolífero cresce 9,24% e investimento estrangeiro fora do petróleo atinge valor recorde.
O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, assegurou terça-feira, em Nova Iorque, que Angola está a consolidar uma economia mais diversificada e moderna, com oportunidades de investimento abertas em praticamente todos os sectores de actividade.
O governante falava no Forbes Africa Day 2026, em representação do Presidente da República, João Lourenço, num painel subordinado ao tema “Angola Beyond Oil” (Angola para além do petróleo). O evento decorreu à margem da 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, reuniu investidores, empresários, representantes de governos, instituições financeiras e outros decisores em torno do papel de África na economia mundial.
Na sua intervenção, Lima Massano lembrou que a forte dependência do petróleo marcou, durante décadas, a estrutura económica do país, deixando-o exposto às flutuações dos preços internacionais e dependente das importações.
Para inverter este quadro, explicou, o Executivo lançou, a partir de 2018, um ciclo de reformas macroeconómicas orientado para a estabilidade e para a transformação gradual da economia. Entre essas reformas, destacou o reforço da autonomia do Banco Nacional de Angola e a reforma do mercado cambial.
Os números mais recentes, sublinhou, confirmam o novo dinamismo. No segundo trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto cresceu 8,74 por cento, com o sector não petrolífero a expandir-se 9,24 por cento.
A agricultura, a indústria transformadora, o comércio, as telecomunicações, os serviços financeiros e o turismo foram apontados como motores desta mudança. A inflação mantém a tendência de abrandamento, tendo recuado para 8,78 por cento em Agosto, contra 9,33 por cento em Julho.
“A economia está a crescer para além do petróleo”, afirmou o ministro de Estado. Destacou também o investimento directo estrangeiro fora do sector petrolífero, que atingiu até agora cerca de mil milhões de dólares, o melhor resultado de sempre.
Lima Massano realçou ainda a localização estratégica de Angola, que permite servir o mercado interno e, ao mesmo tempo, funcionar como plataforma de acesso aos mercados regionais. Para tirar partido desta vantagem, defendeu a continuidade dos investimentos em água, energia, estradas, aeroportos, telecomunicações e outras infra-estruturas essenciais à produção, à logística e ao turismo. Considerou que o potencial turístico do país continua pouco explorado, sobretudo no que respeita à biodiversidade e ao património natural.
No domínio da transformação digital, o governante reconheceu que a extensão do território continua a dificultar o alargamento da conectividade, apesar dos investimentos já feitos. Ainda assim, notou que o crescimento das telecomunicações está a abrir caminho aos jovens através do empreendedorismo e das startups. Apontou também a simplificação da constituição de empresas, hoje possível em poucas horas.
Sobre o mercado internacional de diamantes, o ministro defendeu uma maior concertação entre Angola, Botswana, Namíbia e África do Sul, dado o peso da indústria diamantífera no desenvolvimento dos países produtores.
A terminar, Lima Massano mostrou-se convicto de que, na próxima década, Angola terá uma economia mais diversificada e moderna, capaz de criar novas oportunidades para os angolanos e de assumir um papel crescente no desenvolvimento do continente.



