Filho de imigrantes japoneses, Valdomiro Minoru Dondo nasceu no interior de São Paulo, Brasil, tendo-se mudado ainda jovem para o Rio de Janeiro. 
Os seus laços com Angola começaram em 1984, quando, na qualidade de director de trading da rede brasileira de supermercados Disco, ajudou a facilitar compras a granel de alimentos básicos pelo Executivo angolano durante a guerra civil.
Através desse trabalho, foi criando laços sólidos com as pessoas, os negócios e a cultura do país, acabando por fazer de Angola a sua segunda pátria. 
Em 1987 fundou o Grupo VMD, com o comércio de géneros alimentares como actividade principal, e adquiriu a nacionalidade angolana, residindo no país desde 1992, beneficiando da sua relação de proximidade com o então Presidente da República, José Eduardo dos Santos. 
As empresas do Grupo VMD empregam directamente mais de seis mil trabalhadores e contribuem para o emprego indirecto de outros tantos milhares, com presença activa nas 18 províncias do país.  Nas últimas três décadas, o empresário terá investido mais de 500 milhões de dólares em território nacional. 
No sector financeiro, o Grupo VMD tem participações em três instituições bancárias. O Banco de Investimento Rural (BIR) foi criado com o propósito de fazer chegar mais recursos financeiros ao sector agrícola e às comunidades rurais de Angola, tendo como missão promover o desenvolvimento regional e contribuir para a modernização do interior do país. 
Nesta instituição, Dondo detém 7,40% do capital social, sendo o quarto maior accionista, a seguir a Lígia Madaleno (46,40%), João Henrique Pereira (30%) e Joana Paixão Franco (10,70%). 
No Banco Comercial do Huambo (BCH), o relatório e contas de 2023 indica como principais accionistas Natalino Lavrador com 51,50%, António Mosquito com 20%, Valdomiro Minoru Dondo com 10% e Sebastião Lavrador com 5,50%.
O banco não procedeu à distribuição de dividendos pelo terceiro exercício consecutivo, registando uma queda de 12,54% no activo total, que se fixou em cerca de 69,2 milhões de dólares, com a administração a invocar a necessidade de uma gestão prudente e responsável. 
Quanto ao Banco de Negócios Internacional (BNI), Dondo detinha uma participação directa de 6,76%.  Em Novembro de 2025, vários órgãos de comunicação social noticiaram a sua entrada como accionista maioritário do BNI através da Kassai Capital, informação que foi prontamente desmentida.
A Kassai Capital repudiou e desmentiu categoricamente a notícia, esclarecendo que Minoru Dondo não detém qualquer tipo de participações na Kassai Capital, no Fundo Fénix ou no Banco BNI, sendo a aquisição de 70% do capital do BNI conduzida exclusivamente pela Kassai Capital, criada pela Gemcorp Capital. 
Nos transportes, a Macon Transportes foi criada em Maio de 2001 pelo Grupo VMD.  Nos primeiros anos de actividade, a empresa concentrava-se na prestação de serviços urbanos de passageiros na província de Luanda, complementados com transporte personalizado, fretamento e aluguer de viaturas.
Com o advento da paz, a Macon reorientou a sua estratégia para as ligações interprovinciais e, posteriormente, para a internacionalização.  Hoje, a empresa gere uma frota com mais de 800 autocarros que cobrem as 18 províncias do país, tendo já expandido a sua operação para a República Democrática do Congo e para a Namíbia, contando com mais de 3.500 trabalhadores em todo o território nacional. 
Para além da Macon, o Grupo VMD tem participação indirecta na Angoaustral e na Viação Cidrália, tendo em 2021 criado em parceria com o empresário António Mosquito a Huambo Expresso, operadora de transportes rodoviários interprovinciais sediada no Huambo, com terminais em seis províncias. 
Na mineração, o projecto de Buco-Zau, situado na província de Cabinda, obteve as licenças de prospecção e exploração de ouro dentro da Área Protegida Transfronteiriça da Floresta de Mayombe em 2019. 
As minas de ouro do Grupo VMD em Cabinda tornaram-se as primeiras a produzir industrialmente e a exportar ouro desde a década de 1970, dando assim um contributo concreto para a diversificação da economia nacional.  O investimento total nas duas concessões — Buco-Zau e Lufo — ascendeu a 30 milhões de dólares, estando o Grupo em busca de parceiros para a fase de exploração dos depósitos primários, que exige um investimento estimado em 400 milhões de dólares. 
O portfólio mineiro integra ainda a Chella Mining Holdings. A expansão dos interesses do Grupo VMD inclui também o sector petrolífero, tendo a empresa manifestado interesse em licitar uma licença para a exploração de petróleo no campo onshore da Bacia Terrestre do Baixo Congo. 
O próprio Valdomiro Dondo afirmou que “previsivelmente vamos precisar de petróleo num futuro próximo, e este continuará a ser uma parte integral da economia angolana”, acrescentando acreditar que a necessidade de recursos petrolíferos será uma realidade durante décadas, apesar da tendência global para a transição energética. 
O Grupo VMD continua a expandir e a diversificar o seu portfólio com investimentos na agricultura, mineração, petróleo e telecomunicações, à medida que as reformas governamentais reforçam o clima de investimento privado em Angola. 
Na construção e no imobiliário, a Investe Grupo Desenvolvimentos está vocacionada para o planeamento e desenvolvimento de projectos imobiliários comerciais, sendo responsável por alguns dos empreendimentos mais icónicos de Luanda, como o edifício do Banco Económico e o Kings Towers. 
A Kinaxixi Empreendimentos corresponde ao maior projecto imobiliário comercial em curso no país, com três torres de 25 andares erguidas sobre um centro comercial de cinco pisos na Praça do Kinaxixi, no coração da capital angolana. 
Em Março de 2024, o Grupo VMD adquiriu a participação de 29% na Mota-Engil Angola que se encontrava na posse do Banco Millennium Atlântico, passando Dondo a figurar como accionista minoritário da filial angolana da construtora portuguesa. 
O Grupo está ainda presente na saúde com o Luanda Medical Center e a rede de farmácias Neofarma, no retalho com o Belas Shopping — o primeiro centro comercial inaugurado em Angola —, e nas tecnologias de informação, tendo liderado o Programa Nacional de Bilhetes de Identidade, que permitiu a emissão e distribuição de documentos biométricos modernos a toda a população angolana.
Fontes conhecedoras da sua actividade empresarial descrevem Dondo como o único empresário de relevo que esteve ligado ao anterior Presidente e que aparenta ter conseguido fazer a transição para a administração de João Lourenço. 
Quarenta anos depois de ter chegado a Angola com uma mala e uma missão comercial, Valdomiro Minoru Dondo transformou-se no homem que nenhum regime dispensou, nenhuma crise derrubou e que, a cada década, encontra um novo sector para conquistar — provando que, em Angola, o seu negócio mais rentável foi sempre Angola.


