A ExxonMobil anunciou a contratação de um antigo alto responsável do governo norte-americano de Donald Trump para integrar a sua equipa de assuntos governamentais internacionais, num movimento que reforça a aposta da petrolífera no continente africano.
O ex-diplomata, cujo nome a companhia ainda não divulgou publicamente em pormenor, desempenhou também, ao longo da sua carreira, diversas funções ligadas a Angola, à República Democrática do Congo e ao Sudão, países onde os Estados Unidos mantêm interesses estratégicos, seja no plano diplomático, seja no da segurança regional.
Segundo fontes citadas pela imprensa internacional, o antigo funcionário juntou-se recentemente à equipa da ExxonMobil responsável pelos assuntos governamentais internacionais, uma área da empresa incumbida de gerir as relações com os governos dos países onde o grupo opera e de acautelar os interesses da petrolífera junto dos decisores políticos.
A contratação surge numa altura em que a ExxonMobil tem vindo a reforçar a sua presença em África, continente onde mantém operações de relevo em países como Angola, Moçambique e a Guiana — este último já fora do continente africano, mas frequentemente associado nas estratégias de expansão da empresa em mercados emergentes de petróleo e gás.
Angola continua a ser um dos pilares da presença da ExxonMobil na região, com a companhia a deter interesses em vários blocos de exploração em águas profundas e a anunciar, nos últimos anos, investimentos avultados no sector dos hidrocarbonetos angolano.
A prática de recrutar antigos responsáveis governamentais não é nova no sector petrolífero, sendo frequentemente justificada pelas empresas como forma de reforçar o conhecimento sobre os contextos políticos e regulatórios dos países onde pretendem investir.
Contudo, este tipo de contratações tem também suscitado críticas de organizações que apontam o risco de porta giratória entre cargos públicos e interesses privados, sobretudo quando estão em causa figuras que tiveram responsabilidades directas na definição de políticas para as mesmas regiões onde a empresa agora as recruta.



