O BPI vai vender a posição que ainda detinha no Banco de Fomento Angola (BFA) ao grupo Carrinho, através da Congolian Financial (CFSA). O negócio ronda os 388,5 milhões de euros e aguarda ainda o aval das autoridades angolanas.
A saída surge no seguimento de uma exigência do Banco Central Europeu, que em Dezembro de 2014 determinou a redução da exposição do BPI a Angola, por o país estar fora da lista de jurisdições com supervisão bancária equivalente à europeia.
Desde então, o banco português foi reduzindo progressivamente a sua posição no BFA: perdeu o controlo da instituição em 2017, ao vender 2% à Unitel; colocou 30% do capital em bolsa no ano passado; e vende agora a totalidade da participação remanescente.
O BPI fundou o BFA em 2002, a partir de uma sucursal aberta em Angola nos anos 90 do século passado. Ao longo de três décadas, o investimento gerou ao banco português mais de 900 milhões de euros em dividendos e vendas parciais.
Outras instituições financeiras portuguesas de menor dimensão também reduziram ou encerraram operações directas em Angola nos últimos anos, no contexto do reforço das regras europeias de supervisão sobre a exposição a países terceiros com moedas voláteis, como é o caso do kwanza.
Duas instituições portuguesas mantêm, contudo, presença no mercado angolano. A Caixa Geral de Depósitos é accionista maioritária do Banco Caixa Geral Angola (BCGA), com 51% do capital, ao lado de accionistas angolanos e da Sonangol.
O BCGA fechou 2024 com um resultado líquido de 50,1 mil milhões de kwanzas, cerca de 55 milhões de dólares.
O Millennium BCP mantém, por sua vez, uma participação no Banco Millennium Atlântico, um dos cinco maiores bancos angolanos, resultante da fusão, em 2016, entre o Banco Millennium Angola e o Banco Privado Atlântico.



