Formado em Economia pela Universidade Católica de Angola e detentor de um Executive MBA da London Business School (2017-2019), Agostinho Kapaia lidera desde 2002 o Conselho de Administração do grupo Opaia, empresa que ergueu a sua base de negócio no sector das obras públicas, com forte implantação nas províncias de Malanje e Cuanza-Norte.
O seu portefólio empresarial é diversificado: para além da construção civil, é proprietário do Hotel Ekuikui II, no Huambo, da empresa tecnológica Ever.IT e da Agripaia, no ramo agrícola.
Entre os projectos de maior dimensão do grupo conta-se a venda de 600 autocarros Volvo ao Estado angolano — operação intermediada pela Opaia Europa (Lisboa) e pela IDC International Trading DMCC (Dubai), com um valor global até 315 milhões de euros, financiado pelo Standard Chartered.
No início deste ano inaugurou ainda a Opaia Motors, unidade de montagem automóvel destinada a viaturas Chery e Dongfeng.
Kapaia preside também ao consórcio Amufert, projecto de construção de uma fábrica de fertilizantes no Soyo (província do Zaire), em parceria com a Sonagás (subsidiária da Sonangol) e o Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank).
O investimento, orçado em cerca de 2,2 mil milhões de dólares, prevê a produção anual de 1,2 milhões de toneladas de amónia e ureia granulada a partir de gás natural. As negociações do projecto arrancaram em 2019 e a primeira pedra foi lançada em 2022.
Em Novembro de 2024, foi assinado o contrato de construção (EPC) com parceiros internacionais de engenharia, e o Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás anunciou nessa ocasião que a entrada em funcionamento está prevista para Maio de 2027.
O projecto deverá gerar mais de 1.500 empregos directos e 4.000 indirectos.
O financiamento conta também com uma participação directa do Fundo Soberano de Angola (FSDEA), que comprometeu 300 milhões de dólares ao projecto — dos quais já realizou 110 milhões —, reforçando a natureza fortemente estatal do capital envolvido.
Segundo o Africa Monitor, a Opaia detém 90% do capital do empreendimento, com garantia soberana do Estado angolano.
Para lá da actividade empresarial directa, Kapaia assume um papel de representação do sector privado: preside à CEEIA — Comunidade de Empresas Exportadoras e Internacionalizadas de Angola — e é vice-presidente da PAFTRAC Southern Africa, plataforma pan-africana ligada ao comércio e investimento privado, através da qual participa na defesa de melhores redes de transporte e comunicação na região.
A sua trajectória tem sido também associada à proximidade ao Presidente João Lourenço e ao seu estatuto de membro do Comité Central do MPLA — factores frequentemente apontados como determinantes no crescimento do grupo Opaia.
Nos últimos anos, as empresas do grupo têm sido destinatárias de contratos públicos por ajuste directo estimados em mais de mil milhões de dólares, um modelo de contratação que tem gerado debate em meios empresariais e diplomáticos angolanos quanto à concentração de oportunidades económicas em torno de figuras politicamente expostas.
Kapaia já desempenhou também funções de representação institucional, tendo sido “embaixador” da extinta Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP) e exercido funções consulares honoríficas.



