Pela base logística de Luanda passa o apoio a mais de 60% do petróleo que Angola produz todos os dias. À frente dela está Anabela Marcos, directora-geral da Sonangol Integrated Logistic Services (SONILS).
Chegou ao cargo com mais de vinte anos de carreira, quase todos passados na indústria petrolífera, e é hoje uma das executivas mais respeitadas do País, num sector onde as mulheres em cargos de topo continuam a ser excepção.
O percurso começou longe dos guindastes e dos contentores. É mestre em Psicologia Social, uma formação pouco habitual entre os gestores do sector, que mais tarde completou com estudos em Administração e Empreendedorismo na Northwestern University, nos Estados Unidos. Desta combinação vem um estilo de liderança atento tanto aos números como às pessoas.
A experiência foi feita em casas de referência. Passou pela BP, pela DNV e pela Puma Energy, e prestou consultoria ao Conselho de Administração da Sonangol EP. Pelo meio fundou e dirigiu a Gestão Profissional, consultora dedicada à gestão de negócios, ao desenvolvimento de projectos, à gestão de crises e à liderança.
Foi depois directora-executiva da Associação das Empresas Contratadas da Indústria Petrolífera Angolana (AECIPA). Aí representou as prestadoras de serviços do sector junto das entidades públicas e privadas, e ganhou uma visão de conjunto sobre toda a cadeia de valor do petróleo nacional.
O reconhecimento chegou também de fora. Em 2015 foi seleccionada para a Mandela Washington Fellowship, programa criado por Barack Obama, e integrou o Conselho Consultivo Regional da África Austral. Seguiram-se a Vital Voices Grow Fellowship, em 2017, que reúne empresárias de elevado impacto, e a nomeação para a WIA-54, em 2019, plataforma de apoio e mentoria a mulheres líderes africanas.
Na SONILS, a retoma do investimento no upstream trouxe-lhe mais trabalho do que nunca. O volume de contentores mais do que duplicou no último ano e a produtividade subiu mais de 50%, com menos incidentes.
“Estamos a fazer mais, a fazer melhor e a fazer com mais segurança”, resume a gestora. Sob a sua direcção, a empresa renovou a frota, apostou na digitalização e na energia solar e mantém uma força de trabalho quase inteiramente angolana.
Já olha também para a Namíbia, sem pressas e em parceria com empresas locais.
Fora do gabinete, dedica-se ao empreendedorismo e à preparação de novas gerações de mulheres para cargos de direcção, convicta de que a liderança se constrói com rigor, preparação e persistência.



