A linha angolana projecta 4,6 milhões de toneladas por ano, mas Durban e Richards Bay já concentram quase metade dos fluxos de cobre da região. Tazara, Walvis Bay, Beira/Maputo e Nacala disputam as mesmas cargas da RDC e da Zâmbia.
O Corredor do Lobito não está sozinho na corrida pelo cobre e pelo cobalto da África Central. Pelo menos cinco rotas concorrentes, do Atlântico ao Índico, disputam o escoamento dos minerais críticos produzidos na República Democrática do Congo (RDC), na Zâmbia e no Zimbabwe. Para o País, o que está em jogo é a capacidade de transformar a posição geográfica em receitas de transporte, serviços portuários e logística.
Os números mostram a dimensão do desafio. Segundo o Banco Mundial, os portos sul-africanos de Durban e Richards Bay concentram 46% dos fluxos de cobre e produtos de cobre analisados pela instituição, num universo de 2,215 milhões de toneladas. Walvis Bay, na Namíbia, fica com 11%. O Lobito tem uma capacidade projectada de 4,6 milhões de toneladas por ano na linha angolana, mas parte em desvantagem face a infra-estruturas há muito consolidadas.
A vantagem atlântica
O principal trunfo do corredor angolano é a saída pelo Atlântico, que encurta a distância entre as minas da RDC e da Zâmbia e os mercados da Europa e das Américas. A futura ligação directa à Zâmbia deverá alargar a área de captação de cargas, e o forte apoio dos Estados Unidos e da União Europeia confere ao projecto peso financeiro e político.
O argumento não é exclusivo de Angola. Walvis Bay apresenta-se igualmente como alternativa atlântica, com cargas da Zâmbia, da RDC e do Botswana, e com a promessa de reduzir a dependência dos portos sul-africanos.
Pequim no Índico
Na outra costa, o concorrente directo é o Tazara, que liga o Copperbelt zambiano a Dar es Salaam, na Tanzânia. A linha movimenta 2,4 milhões de toneladas por ano, pode ultrapassar os 3 milhões e conta com forte financiamento e operação da China. A disputa entre o Lobito e o Tazara reflecte, assim, a concorrência entre Washington e Pequim pelo acesso aos minerais estratégicos africanos.
Moçambique joga noutro tabuleiro, o do lítio. Os corredores da Beira e de Maputo servem o Zimbabwe e a Zâmbia, e está em projecto uma rota ferroviária de cerca de 1.000 quilómetros para levar o lítio zimbabweano até Maputo. Mais a Norte, Nacala, com porto de águas profundas, escoa minerais e carga geral do Malawi, da Zâmbia e do interior da região.
Concorrência pela eficiência
Num mercado em que os mesmos produtores podem escolher entre seis saídas, a decisão tende a pesar mais pelo custo, pelo tempo de trânsito e pela fiabilidade do que pela geografia. Para o Lobito, o desafio passa por demonstrar no terreno que consegue retirar quota aos portos sul-africanos e antecipar-se ao Índico, antes que as rotas concorrentes consolidem as suas próprias apostas.



