Petrolífera estatal detém concessões de urânio, lítio e quartzo e prepara-se para entrar nas cadeias de valor da transição energética. Venda de 30% do capital continua sem data.
A Sonangol prepara-se para dar os primeiros passos no sector dos minerais críticos, numa estratégia que visa diminuir a exposição da empresa ao petróleo e assegurar-lhe um lugar nas novas cadeias de valor associadas à electrificação e às tecnologias limpas, avança a agência Lusa.
A petrolífera estatal, fundada em 1976, é já titular de concessões para a exploração de urânio, lítio e quartzo, matérias-primas cuja procura internacional tem vindo a crescer à medida que se multiplicam os investimentos em baterias, equipamento eléctrico e soluções de baixo carbono.
A reorientação ocorre num período de profunda transformação do mercado energético mundial e insere-se num movimento mais amplo, protagonizado por diversas companhias nacionais de energia africanas, que procuram diversificar as respectivas carteiras de negócio face às incertezas que pairam sobre o futuro do crude.
A diversificação não altera, contudo, o essencial. Segundo a Lusa, o petróleo mantém-se como o centro da actividade da Sonangol. Em 2025, a empresa apurou um lucro líquido de 750 milhões USD, conservando a posição de um dos maiores produtores de crude da África Subsaariana e de esteio da economia angolana.
A entrada nos minerais críticos coloca, ainda assim, a petrolífera perante um terreno que lhe é largamente desconhecido. O lítio, matéria-prima central no fabrico de baterias, o urânio, ligado à produção de energia nuclear, e o quartzo, com múltiplas aplicações industriais e tecnológicas, obedecem a dinâmicas de mercado, a exigências técnicas e a perfis de clientes muito distintos daqueles com que a Sonangol tem lidado ao longo de quase cinco décadas.
Em paralelo, permanece adiada a alienação de 30% do capital da empresa. O processo de privatização parcial foi suspenso em virtude da volatilidade do mercado petrolífero, num quadro de incerteza quanto à trajectória das cotações do crude e à evolução da procura mundial.
A manutenção, por ora, da actual estrutura accionista dá à Sonangol margem para acompanhar o comportamento dos mercados enquanto prepara a expansão para novas áreas de negócio.
A estratégia traduz uma alteração progressiva no posicionamento da petrolífera, que procura preservar o peso do negócio do petróleo sem deixar de avaliar oportunidades em recursos considerados estratégicos para a economia global.
Para Angola, a aposta poderá abrir as portas à participação do País em cadeias de valor ligadas aos minerais críticos, numa altura em que os recursos africanos ganham peso crescente nas estratégias internacionais de segurança energética e industrial.



