Formada em Engenharia de Petróleos pela Universidade de Tulsa, nos Estados Unidos, Ana Rosa da Costa Nhanga Miala construiu, ao longo de mais de duas décadas, um percurso que acompanha de perto as grandes transformações da indústria petrolífera angolana.
Iniciou a sua trajectória na Sonangol E.P., onde chefiou o Departamento de Produção da Direcção de Produção, e foi vogal da OPS – Serviços de Produção de Petróleos, consolidando uma experiência técnica sólida no coração das operações do sector.
Com a criação da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, em 2019, Ana Miala assumiu a Direcção de Produção da nova concessionária nacional, num momento em que o país enfrentava o desafio de travar o declínio da produção registado desde 2008.
Nesse papel, tornou-se uma das vozes mais técnicas e escutadas do sector, acompanhando de perto o desempenho das concessões e defendendo uma fiscalização mais rigorosa dos programas de trabalho dos operadores, alinhada com as práticas internacionais.
Em 2023, numa altura em que a produção nacional chegou a atingir 1,2 milhões de barris por dia, sustentou publicamente que Angola tinha condições para superar as metas anuais fixadas.
Em Fevereiro de 2024, foi nomeada pelo Presidente da República administradora executiva da ANPG.
Desde então, tem estado na linha da frente de algumas das apostas mais relevantes da agência, com destaque para o projecto de produção incremental, que oferece alívio fiscal e condições de partilha mais equilibradas para incentivar novos investimentos em campos maduros, muitos deles em produção há mais de quarenta anos.
Foi também uma das responsáveis por trazer ao debate público a realidade dos poços inactivos no país e a necessidade de planos de abandono devidamente aprovados pelo Estado, num esforço de transparência e boa gestão dos recursos.
Mais recentemente, Ana Miala tem dado rosto a projectos que apontam para o futuro do sector, como o FPSO Kaminho, que deverá abrir uma nova província petrolífera na Bacia do Kwanza e reforçar a confiança dos investidores, e o novo ciclo estratégico da ANPG para 2026–2030.
A par da visão técnica, defende que o crescimento da indústria deve caminhar lado a lado com o investimento na formação dos jovens angolanos e na valorização dos quadros nacionais, convicção que traduz uma carreira dedicada não apenas a produzir petróleo, mas a construir capacidade para o país.



