Há homens que se limitam a gerir um clube. Tomás Faria decidiu, há doze anos, escrever história. Desde Abril de 2014 que segura o leme do Petro Atlético de Luanda, e a massa associativa tricolor já não sabe imaginar outro rosto à frente do Eixo-Viário.
Foi sócio antes de ser dirigente, dirigente antes de ser presidente, e presidente antes de se tornar, sem exageros, uma instituição dentro da instituição. Três mandatos, doze anos, e o título honroso de único homem na história do clube a chegar a este patamar.
Em Março de 2024, os sócios voltaram a confiar-lhe as rédeas: 140 votos, um recado claro de quem sabe reconhecer trabalho bem feito. E trabalho, meus caros, não tem faltado.
No futebol, o Petro anda a escrever capítulos que hão-de ficar guardados a ferro e fogo nos anais do desporto angolano. Época 2024-2025: 19.º título nacional. Época 2025-2026: revalidação com mão de ferro, subindo para 21 estrelas no peito — um número que ninguém, mas ninguém mesmo, tinha alcançado antes no futebol angolano. E se pensavam que o apetite estava saciado, enganaram-se redondamente. Para 2026-2027, a direcção foi ao mercado com a fome de quem quer conquistar o continente, não apenas o país.
Chegou Ivan Cavaleiro, ex-Benfica, com passagens por meio mundo, Mónaco, Wolverhampton, Fulham, Lille, e por aí fora, a vestir a camisola tricolor pela primeira vez fora da Europa.
Chegou Hélder Costa, com bagagem de Wolverhampton, Leeds, Valência, Arábia Saudita e China, um verdadeiro andarilho do futebol global agora a jogar no Catetão.
Chegou Núrio Fortuna, criado no futebol belga, homem de Charleroi e de Gent, com paragens em França e na Grécia. E chegou ainda Lucas João, avançado experiente que já correu meio planeta — da Inglaterra ao Qatar, do Irão à Turquia — para agora vestir tricolor. Não é mercado de reforço qualquer: é declaração de intenções.
No basquetebol, o Petro continua a reinar em casa.
A época de 2025-2026 trouxe o sexto título consecutivo, e o 19.º da história do clube —, ao vencer o Sporting de Luanda por 4-0 na série do play-off final, igualando o 1º de Agosto no topo do quadro de campeões nacionais. Um domínio ininterrupto que já dura desde 2020-2021.
Lá fora, na grande arena africana, o percurso tem sido igualmente notável, ainda que com sabor agridoce nas últimas duas edições. Em 2024, o Petro fez história ao tornar-se o primeiro clube angolano, e da África subsariana, a conquistar a Basketball Africa League.
Seguiram-se, porém, duas finais perdidas: em 2025, ante o Al Ahli Tripoli, e em 2026, na sexta edição da prova, diante dos anfitriões do RSSB Tigers, do Rwanda, por 90-87, depois de uma partida equilibrada até ao último minuto. Fica, ainda assim, o registo histórico: três presenças consecutivas na final da BAL, um feito que reforça o estatuto do Petro como uma das equipas mais consistentes do continente, com seis participações totais na prova — recorde absoluto entre todos os clubes.
O Petro foi ainda o primeiro clube da África subsariana a disputar a Copa Intercontinental FIBA.
Tomás Faria olha para tudo isto e não esconde a ambição: quer o Petro de volta ao topo de África, tanto no basquetebol como no futebol.
Com este plantel reforçado, com este historial recente, e com este presidente que já provou saber construir vitórias, ninguém em Angola se atreve a duvidar. O Eixo-Viário está, sem sombra de dúvida, a viver os seus anos mais competitivos.



