Após uma passagem pelo sector público angolano (Ministério das Finanças e BODIVA), Walter Pacheco tem se consolidado como uma referência do mercado financeiro angolano, assumindo hoje posições de topo na banca e na gestão de activos.
Criado em Angola, viveu a maior parte da vida em Portugal e no Reino Unido, onde concluiu os estudos superiores: licenciatura em Economia e Gestão pela University of the West of England (Bristol) e mestrado em Finanças Internacionais pela University of Sussex, ao qual junta um programa de desenvolvimento de mercados de capitais na George Washington University, em parceria com a IFC (International Finance Corporation, do Grupo Banco Mundial) e o Milken Institute. Descrito como um técnico de elite, reservado e pouco exposto publicamente, tem estado, ainda assim, no centro de algumas das operações mais significativas do mercado financeiro angolano dos últimos anos.
Iniciou o seu percurso profissional em 2012, como FX trader (operador de câmbios) no Standard Bank, em Luanda, onde mais tarde passou pela área de Vendas de Mercados Globais, aconselhando clientes corporativos sobre a legislação cambial angolana. Em 2013, ingressou na Comissão do Mercado de Capitais (CMC) como Economista Sénior, dando apoio técnico à criação do quadro legal que sustenta o mercado de capitais angolano, nomeadamente a regulação de ofertas públicas e privadas de valores mobiliários.
Foi neste período que iniciou também uma ligação à academia, exercendo como Professor Assistente na Universidade Agostinho Neto (2014–2016), nas áreas de Mercados de Capitais e Gestão Financeira, ao mesmo tempo que desempenhava funções de docência interna na CMC, em regime de meio período (2014–2016), na área de Fixed Income Securities.
Ainda em 2013, integrou a recém-criada BODIVA — Bolsa de Dívida e Valores de Angola, onde construiu a maior parte da sua carreira no sector público: começou como Chefe de Desenvolvimento de Mercado (2013–2016), passou a Administrador Executivo (2016–2017) e, mais tarde, viria a assumir o cargo de Presidente da Comissão Executiva da instituição, entre 2021 e 2025, liderando por quase quatro anos a bolsa de valores angolana. Foi sob a sua liderança que a BODIVA activou, a 9 de Junho de 2022, o mercado de bolsa de acções, com a admissão de quatro empresas fundadoras — BAI e BCGA (banca), ENSA (seguros) e a própria BODIVA —, um marco frequentemente apontado como um dos momentos mais simbólicos da sua passagem pela instituição.
Entre estas duas fases na BODIVA, completou um estágio na Millennium Management, em Nova Iorque (2017), e assumiu funções no Ministério das Finanças de Angola, como Director-Geral do Gabinete de Gestão da Dívida (2017–2021), período em que esteve directamente ligado à gestão da dívida pública do país.
Em 2025, antes do termo do mandato na BODIVA (que se estenderia até Fevereiro de 2026), renunciou ao cargo — uma saída descrita na imprensa como abrupta para um dos líderes mais proeminentes do mercado de capitais angolano — para assumir a liderança da recém-criada KASSAI, SGOIC, gestora de activos angolana lançada pela Gemcorp Capital, fundo de investimento britânico com presença consolidada em Angola.
Foi através da Kassai — e do fundo Fénix por esta gerido — que a Gemcorp adquiriu, em 2025/2026, uma participação maioritária (mais de 70%) no Banco de Negócios Internacional (BNI), operação que Pacheco liderou e que o levou a assumir, em Julho de 2026, a Presidência do Conselho de Administração do próprio banco.
A entrada de Pacheco na órbita da Gemcorp coloca-o no centro de um dos grupos com maior peso na economia angolana actual. Para além do BNI, a Gemcorp é responsável pela construção e inauguração, em Setembro de 2025, da Refinaria de Cabinda — o primeiro investimento privado deste tipo em Angola, com uma capacidade instalada de 60 mil barris/dia e um investimento superior a 473 milhões de dólares, em parceria com a Sonangol.
O grupo gere ainda activos em nome do Banco Nacional de Angola, é parceiro do Fundo Soberano de Angola (FSDEA) num Fundo Pan-Africano de Infraestruturas, e tem vindo a posicionar-se como candidato para o desenvolvimento da futura refinaria do Soyo.
A imprensa internacional, incluindo o Financial Times, têm assinalado que a Gemcorp foi inicialmente capitalizada com fundos ligados a indivíduos próximos do Kremlin — uma origem que alimenta parte do escrutínio sobre a crescente influência do grupo na economia angolana.



