As seis principais empresas públicas do sector da comunicação social, nomeadamente a Televisão Pública de Angola (TPA), a Rádio Nacional de Angola (RNA), as Edições Novembro, a Angop, a TV Zimbo e a Média Nova, apresentam, segundo dados constantes dos Relatórios Anuais de Gestão recentemente divulgados pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), um quadro financeiro que suscita preocupação junto de especialistas e analistas do sector, relativo ao período compreendido entre 2020 e 2025.
De acordo com a informação disponibilizada pelo IGAPE, o activo da TPA registou um crescimento assinalável ao longo dos últimos seis anos, tendo passado de 20,2 mil milhões de Kwanzas, em 2020, para 73,6 mil milhões, em 2025, o que representa um crescimento superior a 260 por cento.
A RNA, por seu turno, manteve-se numa faixa relativamente estável, entre os 31 e os 33 mil milhões de Kwanzas, ao passo que as Edições Novembro oscilaram entre os 18 e os 25 mil milhões, no mesmo período. Já a Angop registou um crescimento mais moderado, enquanto a TV Zimbo se manteve como a empresa de menor volume de activo, não tendo ultrapassado os seis mil milhões de Kwanzas ao longo de todo o intervalo temporal em análise.
Não obstante o referido crescimento patrimonial, os dados do IGAPE indicam que tal facto não se traduziu, na generalidade dos casos, numa correspondente solidez financeira. A TPA constitui o exemplo mais preocupante, ao apresentar capital próprio negativo em todos os exercícios do período em causa, situação que se agravou de -5,8 mil milhões, em 2020, para -22,5 mil milhões, em 2025, tendo atingido o valor mais crítico em 2023, próximo dos -33 mil milhões de Kwanzas.
Trata-se de um indicador que, em termos técnicos, configura uma situação de falência técnica. A TV Zimbo também evidenciou fragilidades semelhantes nalguns dos anos analisados. Em sentido contrário, a RNA e a Angop conseguiram manter capital próprio positivo e relativamente estável, tal como as Edições Novembro e a Média Nova, ainda que estas últimas revelem alguma tendência de decréscimo.
No que concerne aos custos com pessoal, os dados apontam para um aumento generalizado nas seis empresas do sector. A TPA registou a despesa mais elevada, tendo atingido 13,4 mil milhões de Kwanzas em 2022.
A RNA seguiu uma trajectória semelhante, ultrapassando os 8,7 mil milhões de Kwanzas nos anos mais recentes. A Angop e a TV Zimbo acompanharam igualmente esta tendência de subida, embora com valores absolutos mais reduzidos, enquanto a Média Nova foi a empresa que conseguiu manter os seus custos com pessoal mais contidos relativamente às congéneres do sector.
Relativamente aos resultados operacionais, a situação mantém-se preocupante para a generalidade das empresas analisadas. A TPA acumulou prejuízos operacionais em praticamente todos os exercícios do período, tendo encerrado o ano de 2025 com um resultado negativo de 6,8 mil milhões de Kwanzas.
A TV Zimbo apresentou, por sua vez, um dos piores resultados de todo o período, registado em 2022. Já a RNA, a Angop e as Edições Novembro tiveram resultados operacionais oscilantes, alternando entre pequenos lucros e prejuízos consoante o exercício em causa, ao passo que a Média Nova foi a empresa cujo desempenho operacional mais se aproximou do equilíbrio financeiro, não obstante ter também registado resultados negativos nalguns dos anos em análise.
Importa referir que a TV Zimbo e o Grupo Média Nova constam, precisamente, da lista de activos públicos a privatizar no âmbito do Programa de Privatizações (PROPRIV), a par de empresas como a Unitel, a Angola Telecom, a TAAG e a Endiama.



