Vinte e cinco anos depois, o Banco Sol grava o nome do seu fundador na casa que ele ajudou a erguer.
Há homens cujo nome fica gravado nas fachadas. O de Sebastião Lavrador ficou gravado nas instituições. E agora, também, na parede de um auditório.
A história começa em Luanda, no Sambizanga, onde cresceu ao lado de um amigo de infância chamado José Eduardo dos Santos.
Em 1962, quando aderir ao MPLA ainda era um gesto de risco e de convicção, Sebastião Lavrador fê-lo na primeira hora. Cinco anos depois, em 1967, sentava-se pela primeira vez a uma secretária do Banco de Crédito Comercial e Industrial. Não sabia ainda, mas tinha encontrado o ofício de uma vida.
Aprendeu a banca como se aprendiam então as coisas sérias: no balcão, nas operações, nos livros de contas. Juntou-lhe dois anos de Economia e três de Gestão Bancária no Instituto de Formação Bancária. Mas foi a prática que o formou.
Veio a Independência, e com ela um país inteiro por construir. Em 1976, já no Banco Nacional de Angola, foi chamado a dirigir as delegações do Huambo e do Bié.
Seguiram-se a delegação provincial de Luanda e as operações com o estrangeiro do banco central. Degrau a degrau, a casa ficou a conhecê-lo, e ele a conhecê-la.
O país, entretanto, mudava de rumo. E foi nessa curva da história que Sebastião Lavrador chegou a Governador do BNA, por duas vezes: de 1992 a 1993 e de 1996 a 1999. Coube-lhe uma tarefa delicada, a de abrir a banca angolana a novos actores.
Sob a sua liderança, nasceram os primeiros bancos privados e chegaram os primeiros bancos estrangeiros. O banco central deixou os balcões ao público e concentrou-se no seu papel de regulador. Em 1996, com a inflação acima dos 7600%, foi ele quem avançou com a unificação das taxas de câmbio. Eram tempos que exigiam mão firme, e ele teve-a.
Deixou o cargo, mas não deixou a banca. Continuou a aconselhar quem lhe sucedeu e passou de regulador a investidor. Foi um dos sócios de Fernando Teles no projecto do Banco BIC, a cujo Conselho de Administração presidiu, e chegou a deter 5% do EuroBic, o braço português do grupo.
Tornou-se também accionista do Banco Comercial do Huambo, onde a família assumiu a posição de referência. Mas a obra a que o seu nome ficou para sempre ligado nasceu em 2001: o Banco Sol, de que foi fundador, accionista e, mais tarde, Presidente do Conselho de Administração.
Vinte e cinco anos depois, o Banco Sol quis olhar para trás antes de seguir em frente. A 16 de Outubro, no âmbito das celebrações do seu 25.º aniversário, reinaugurou o auditório da Sede, que passa a chamar-se Auditório Dr. Sebastião Lavrador.
É a homenagem a um dos membros fundadores da instituição e antigo Presidente do Conselho de Administração.
A cerimónia foi mais do que um descerrar de placa. Foi o reconhecimento do legado de quem ajudou a construir e a consolidar o banco, e a reafirmação de um compromisso com as pessoas, com a memória e com um futuro assente na confiança e na solidez institucional.
Daqui em diante, cada reunião, cada conferência e cada decisão tomada naquela sala far-se-á sob o seu nome. Talvez seja essa a melhor homenagem a um banqueiro: continuar a ser lugar de encontro e de futuro.



