O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em alta as previsões de crescimento dos países produtores de petróleo da África Subsaariana, de 4,0% para 4,1%. Angola deverá crescer 4,4% em 2026, uma aceleração clara face aos 3,1% registados em 2025, embora ligeiramente abaixo da média regional de 4,5%.
As previsões constam da Actualização das Perspectivas Económicas de África, lançada na Quinta-feira no âmbito dos Encontros Anuais do FMI, em Banguecoque.
Para o conjunto da região, o Fundo projecta um crescimento de 4,5% em 2026 e em 2027. Este valor representa uma revisão em alta de 0,2 pontos percentuais face à previsão de Abril. Entre os grandes produtores de petróleo, a Nigéria deverá crescer 4,2%.
“Os países que beneficiam de termos de troca favoráveis estão a sair-se bem”, afirmou Zeine Zeidane, director do Departamento de África do FMI. O responsável, antigo primeiro-ministro da Mauritânia, sucedeu este ano a Abebe Aemro Selassie.
Zeidane estende a leitura aos exportadores de metais, como a Zâmbia e a vizinha República Democrática do Congo, que beneficiam da subida do ouro e do cobre.
O ganho mais expressivo regista-se nas contas externas. O excedente da balança corrente dos países petrolíferos deverá passar de 1,6% para 4,4% do PIB.
O quadro é menos favorável para as economias pobres em recursos naturais. O seu crescimento recua de 6,4% em 2025 para 6%, e o défice da balança corrente agrava-se de 3,4% para 5,8% do PIB. A Costa do Marfim e o Uganda viram as previsões ligeiramente revistas em baixa.
Como resposta, o FMI recomenda o investimento directo estrangeiro, o acesso a mercados e os seus próprios programas de financiamento. Segundo o Fundo, estão em negociação novos acordos com “mais de uma dúzia de países”.
O relatório adverte que o acesso aos mercados financeiros internacionais não está garantido, porque os custos de financiamento continuam elevados. “As reservas limitadas deixam pouca margem para outro choque”, sublinha a instituição.
A dívida pública mediana da região deverá descer para 51,7% do PIB em 2026, mas os juros continuam a absorver, em média, 12% das receitas públicas. A ajuda bilateral deverá cair mais 12%, depois de uma redução acentuada em 2025.
O FMI defende o reforço da arrecadação fiscal, uma área onde, segundo Zeidane, “ainda há uma margem de manobra significativa”. A inflação mediana deverá subir de 3,4% em 2025 para 5% em 2027.
O Fundo mantém as perspectivas regionais apesar da guerra no Médio Oriente, mas reconhece que a média esconde grandes disparidades. Entre os riscos identificados estão novas perturbações no abastecimento energético, reavaliações da dívida soberana, mais cortes na ajuda e o El Niño, que deverá atingir com especial gravidade a África Austral, onde se situa Angola.



