Unidade da Diarough cria 130 postos de trabalho e prevê atingir capacidade de lapidação de 4.000 quilates em dois anos
Angola reforçou a sua capacidade de transformação local de diamantes com a inauguração, este sábado, de uma nova fábrica de lapidação da Diarough Angola, instalada no Pólo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo (PDDS), na província da Lunda-Sul.
O investimento prevê a criação de 130 postos de trabalho, dos quais 100 para trabalhadores locais e 30 para expatriados, e deverá atingir uma capacidade de lapidação de 4.000 quilates num horizonte de dois anos, contribuindo para o aumento da capacidade industrial, a transferência de conhecimento técnico e a criação de emprego qualificado no País.
A unidade foi inaugurada pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, numa cerimónia que contou com a presença do governador da Lunda-Sul, Gildo Matias, do CEO da Diarough, Suresh Parik, representantes do sector diamantífero e outros convidados.
Segundo Diamantino Azevedo, a entrada em funcionamento da fábrica representa mais um passo na estratégia do Executivo de aumentar o valor acrescentado gerado em Angola a partir dos recursos minerais nacionais.
“O desenvolvimento do sector diamantífero não pode limitar-se à extracção. O nosso objectivo é fazer com que uma parcela cada vez maior do valor gerado pelos diamantes permaneça em Angola, através da transformação local, da qualificação de quadros, da criação de emprego e da incorporação de conhecimento e tecnologia”, afirmou o ministro.
O investimento ocorre num período de forte crescimento da transformação local de diamantes. Entre 2021 e 2025, o volume de diamantes brutos destinados à lapidação em Angola aumentou de cerca de 25 mil para mais de 103 mil quilates, representando um crescimento superior a 300%.
A nova unidade incorpora ainda tecnologias de rastreabilidade, incluindo soluções baseadas em blockchain, destinadas a acompanhar a origem e o percurso dos diamantes, reforçando os mecanismos de transparência e garantia de proveniência.
Para o CEO da Diarough, Suresh Parik, a escolha de Saurimo reflecte a visão da empresa de posicionar Angola não apenas como produtor de matéria-prima, mas como um mercado estratégico para o desenvolvimento da indústria diamantífera.
A Diarough, com sede na Bélgica e presença em quatro continentes, possui experiência internacional no corte e lapidação de diamantes e operações consolidadas em países africanos, nomeadamente na África do Sul e no Botswana. A instalação em Saurimo amplia a presença do grupo no continente e integra Angola na sua rede industrial internacional.
O governador da Lunda-Sul, Gildo Matias, destacou o impacto do investimento no desenvolvimento económico da província e na criação de oportunidades para a população local.
“Este investimento acrescenta valor à economia da Lunda-Sul e, sobretudo, às nossas pessoas, através da criação de uma economia que assente no diamante, mas que vá para além do diamante”, afirmou.
Localizado próximo de algumas das principais zonas de produção diamantífera do País, o Pólo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo foi concebido para aproximar a transformação da matéria-prima dos locais de produção, concentrando num mesmo ecossistema actividades industriais, formação, serviços e comercialização.
A criação de emprego qualificado e a transferência de competências para profissionais angolanos constituem uma componente central do investimento, contribuindo para que uma maior parcela da cadeia económica associada ao diamante seja desenvolvida nas próprias regiões produtoras.
Com a expansão da lapidação em território nacional, Angola procura aumentar o valor acrescentado dos diamantes antes da exportação e reforçar progressivamente a sua presença nas diferentes etapas da cadeia internacional do sector, desde a produção e comercialização do diamante bruto até à transformação industrial.
A entrada em funcionamento da fábrica da Diarough em Saurimo acrescenta nova capacidade a este processo e reforça a ambição de Angola de se afirmar não apenas entre os grandes produtores mundiais de diamantes, mas também como um centro africano de transformação e criação de valor no sector diamantífero.



