A Bacia do Kwanza voltou a despertar o interesse do investimento internacional. Três décadas depois do abandono da exploração terrestre, empresas da Nigéria, do Reino Unido e de França disputam hoje blocos petrolíferos numa das regiões com maior potencial geológico de Angola, num ano em que a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) intensificou as actividades de exploração em várias frentes do território nacional.
A nigeriana Oando foi uma das primeiras a chegar. A empresa detém uma participação operacional de 45% no Bloco KON 13, em parceria com a Effimax (30%) e a Sonangol (15%), marcando a entrada estratégica do grupo no sector petrolífero angolano. Do Reino Unido, a Corcel consolidou uma participação maioritária no Bloco KON 16, concluiu um levantamento sísmico 2D de 326 quilómetros e prevê a perfuração de um poço de exploração em 2026.
A francesa TotalEnergies avança no segmento offshore da mesma bacia: em Maio de 2024, assinou com a Petronas e a Sonangol a Decisão Final de Investimento para o projecto Kaminho, que contempla os campos Cameia e Golfinho e envolve a conversão de um navio-tanque numa unidade FPSO totalmente eléctrica.
O interesse não para de crescer. Em Janeiro de 2025, a ANPG recebeu nove propostas de três empresas estrangeiras para operar blocos na bacia terrestre do Kwanza. A bacia ocupa uma área de 25.000 km², está subdividida em 23 blocos e tem um historial de produção petrolífera bem-sucedida, penalizado pela falta de investimento e pela viragem para o desenvolvimento em águas profundas no final dos anos 90.
Em paralelo, o relatório de gestão da ANPG revela que as actividades de exploração se intensificaram também na Bacia de Etosha-Okavango, onde foram realizadas 2.846 amostras geoquímicas e MPOG ao longo de 2025, com o pico de actividade registado no segundo trimestre, com 1.228 amostras.
No mesmo período, foram desminados 526 pontos, cartografados 128 afloramentos e recolhidas 101 amostras de cartografia, concentrando a geoquímica 92,5% do total das actividades realizadas na bacia.
Os números inserem-se no balanço da Estratégia de Exploração de Hidrocarbonetos 2020-2025, que encerrou com uma execução técnica de 59%, penalizada pelo impacto da pandemia da Covid-19. Entre os resultados alcançados, destacam-se o aumento das concessões offshore de 50 para 74 blocos, um crescimento de 48%, e a perfuração de 32 dos 51 poços previstos, equivalente a 63% da meta estabelecida.
A estratégia gerou ainda mais de 3.400 empregos directos e indirectos, contribuindo para a dinamização da economia e o reforço do conteúdo local.
O relançamento da exploração onshore na Bacia do Kwanza, após mais de 30 anos de interregno, é apontado pela ANPG como um dos marcos operacionais mais relevantes do ciclo.
Com o período 2020-2025 encerrado, a agência orienta agora o seu foco para o Plano de Exploração de Hidrocarbonetos 2026-2030, centrado na sustentabilidade, na integração tecnológica e na confirmação de novas reservas que garantam a longevidade do sector em Angola.



