Angola figura entre os países africanos que mais aumentaram as suas exportações de gás natural liquefeito em 2025, confirmando a maturidade alcançada pelo projecto Angola LNG, no Soyo, depois de uma década marcada por avanços e recuos técnicos.
A notícia consta do mais recente relatório da International Gas Union (IGU), que traça o retrato do sector a nível mundial.
Segundo o documento, Angola surge ao lado da Nigéria e da Malásia no grupo de exportadores que mais reforçaram os seus volumes de entrega no ano transacto — um sinal de confiança para a unidade do Soyo, que Luanda tem procurado afirmar como pilar da diversificação da economia nacional, a par da tradicional exportação de petróleo bruto.
O bom desempenho angolano surge num momento de forte dinamismo para o GNL africano. A Mauritânia e o Senegal tornaram-se, na semana passada, os mais recentes exportadores do continente, na sequência do arranque do projecto conjunto Greater Tortue Ahmeyim (GTA), avaliado em 4,6 mil milhões de dólares norte-americanos.
A entrada destes dois países da África Ocidental no comércio internacional de GNL vem intensificar a concorrência entre os produtores africanos, num grupo onde a Nigéria continua a deter a liderança incontestada.
Através da Nigeria LNG (NLNG), instalada na Ilha de Bonny, o país mantém uma capacidade instalada de liquefacção de 22 milhões de toneladas anuais — uma das maiores unidades de exportação de GNL à escala mundial.
Segundo a IGU, o comércio mundial de GNL atingiu, em 2025, um valor recorde, cabendo a África um papel cada vez mais relevante no abastecimento da procura crescente, ainda que os Estados Unidos tenham mantido o estatuto de maior exportador mundial da matéria-prima.
O momento revela-se particularmente propício ao sector. O investimento global em GNL está em franca aceleração, tendo sido tomada, em 2025, a decisão final de investimento relativa a 68,4 milhões de toneladas anuais de nova capacidade de liquefacção — o volume mais elevado de aprovações desde 2019.
Prevê-se que esta vaga de investimentos venha a reconfigurar a oferta mundial ao longo da próxima década, abrindo novas oportunidades aos produtores africanos, entre os quais Angola procura consolidar a posição da sua unidade do Soyo.
O relatório da IGU sublinha que a história do gás natural liquefeito em África está longe de escrita a seu termo. Exportadores já consolidados — casos da própria Angola, da Nigéria, da Argélia e do Egipto — encontram-se a expandir ou a modernizar a respectiva capacidade produtiva, ao passo que países como Moçambique e a República do Congo prosseguem com projectos de GNL de vulto, susceptíveis de reforçar ainda mais o peso do continente nas exportações mundiais.
Para a Mauritânia e o Senegal, a entrada no mercado global deverá traduzir-se no desbloqueamento de somas avultadas em receitas de exportação e em investimento estrangeiro, replicando, em certa medida, o percurso que Angola já trilhou a partir do Soyo.
A conjuntura favorável que o continente atravessa surge, contudo, num quadro de acentuada instabilidade geopolítica. Apesar de o comércio mundial de GNL ter atingido, segundo a IGU, um valor recorde em 2025, a organização adverte que o conflito no Médio Oriente poderá condicionar as perspectivas do mercado em 2026, com eventuais perturbações nas infra-estruturas e incerteza acrescida quanto ao abastecimento futuro.
Para Angola, que soube capitalizar o relançamento do terminal do Soyo, o momento é de particular relevância: o país não só mantém a sua quota no mercado africano do GNL, como vê reforçada a tese de que o continente se afirma, cada vez mais, como fornecedor incontornável num mercado global em busca activa de novas fontes de segurança energética.



