Angola figura entre as nações africanas que mais progrediram no combate à corrupção entre 2016 e 2025, segundo dados preliminares do Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) 2026, divulgados pela Fundação Mo Ibrahim.
O relatório completo será lançado a 31 de Outubro, mas a Fundação já adiantou algumas conclusões sobre a evolução da governação anticorrupção no continente.
A pontuação média da África no quesito anticorrupção subiu de 38,6 pontos em 2016 para 39,1 em 2025. O ganho de apenas 0,5 pontos ao longo da década esconde uma trajectória mais complexa: houve queda entre 2016 e 2020, seguida de uma recuperação consistente na segunda metade do período.
Esta melhoria, porém, está longe de ser uniforme. Enquanto 26 países registaram avanços — representando pouco mais de 40% da população africana —, 28 países pioraram, afectando quase 60% dos habitantes do continente.
Angola foi citada, a par do Tchad, da Somália, do Togo e das Seicheles, como um dos países que mais melhoraram no indicador de anticorrupção na última década.
O relatório ainda não divulgou publicamente a pontuação exacta do país nem a sua posição no ranking continental, informações que deverão ser detalhadas na publicação integral do índice, prevista para Outubro.
No topo geral do ranking, o Rwanda e as Seicheles dividem a liderança, com as Seicheles a registar o salto mais expressivo do continente — mais 26,3 pontos na década, o que lhes permitiu subir 12 posições.
Entre os países que mais retrocederam estão as Comores, a Libéria, a África do Sul, o Níger e o Botswana, este último ainda assim a manter a sexta posição geral apesar da tendência de queda.
Angola integra a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), bloco que obteve a pontuação média mais alta em anticorrupção entre todas as comunidades económicas regionais analisadas, com 44,5 pontos. Em contraste, a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), na África Oriental, teve o pior desempenho médio, com 26,9 pontos.
Já a União do Magrebe Árabe, no Norte de África, destacou-se por ser o único bloco regional em que todos os países-membros melhoraram as suas pontuações, com um ganho médio de 4,6 pontos na década.
O componente de anticorrupção do IIAG avalia a eficácia dos esforços de combate à corrupção no governo, na administração pública e no sector privado, com base em seis indicadores — entre eles, mecanismos anticorrupção, corrupção em instituições estatais, contratação pública e percepção pública sobre a matéria.
A Fundação Mo Ibrahim adverte que a melhoria registada no continente não deve ser interpretada como motivo para complacência, uma vez que as disparidades entre países e regiões continuam profundas.



