A Amazon anunciou a aquisição da empresa de satélites Globalstar por 9,81 mil milhões de euros, numa operação que visa reforçar a sua presença no mercado de comunicações via satélite e reduzir a distância para a Starlink, da SpaceX, líder destacada do sector.
Os accionistas da Globalstar receberão 76,32 euros por acção em acções ordinárias da Amazon, numa transacção cuja conclusão está prevista para 2027. O negócio permitirá à Amazon Leo, a divisão de satélites comerciais da empresa, disponibilizar serviços de rede móvel directamente para dispositivos, sem necessidade de torres de telecomunicações ou antenas.
Em paralelo com a aquisição, a Amazon anunciou uma parceria com a Apple para continuar a suportar os modelos de iPhone e Apple Watch que utilizam as constelações de satélites da Globalstar, abrangendo funcionalidades como Emergency SOS, Messages, Find My e Roadside Assistance.
A operação representa a segunda maior aquisição da história da Amazon, apenas ultrapassada pela compra da cadeia Whole Foods por 11,62 mil milhões de euros em 2017, e consolida o compromisso da empresa com a economia espacial, sector no qual já investiu cerca de 8,48 mil milhões de euros no desenvolvimento da Amazon Leo desde 2020.
A SpaceX parte com vantagem considerável: a Starlink conta já com mais de 10.000 satélites em órbita e mais de 10 milhões de utilizadores em mais de 100 países desde o início das operações comerciais em 2021. A Amazon Leo, por sua vez, colocou mais de 200 satélites em órbita e prevê o lançamento comercial para meados de 2026.
O analista do sector espacial Chris Quilty considerou que “o que estamos a ver é a preparação para uma batalha de titãs entre a SpaceX e a Amazon”, acrescentando que a SpaceX estaria igualmente interessada em adquirir o espectro da Globalstar, o que explicará o prémio pago pela Amazon.
Em 2025, a Globalstar registou receitas de 231 milhões de euros, um crescimento de 9% face ao ano anterior, impulsionado sobretudo por vendas recorrentes à Apple, ainda que tenha apresentado um prejuízo líquido de 7,33 milhões de euros. Após o anúncio da aquisição, as acções da Globalstar subiram 10% e as da Amazon valorizaram 3%.
O projecto de satélites da Amazon teve início em 2019 sob a designação Project Kuiper, rebaptizado Amazon Leo em novembro de 2025, assinalando a transição para uma operação comercial. O programa obteve licença operacional da Federal Communications Commission em julho de 2020 e atingiu o primeiro marco orbital em outubro de 2023, com o lançamento de dois satélites protótipo.
O negócio insere-se numa das rivalidades empresariais mais marcantes do século XXI. De acordo com o World Economic Forum, a economia espacial poderá atingir um valor superior a 1,53 biliões de euros até 2035, face aos cerca de 508,78 mil milhões de euros registados no ano passado, com o sector comercial a representar cerca de 80% da indústria.
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