O sector bancário angolano atravessa, em 2026, uma nítida divisão a duas velocidades. Se os dois maiores bancos do país, o Banco Angolano de Investimentos (BAI) e o Banco de Fomento Angola (BFA), atravessam um período de contenção nos resultados, já a banca de menor dimensão apresenta, na generalidade, sinais de vigor que contrastam com o abrandamento verificado no topo da tabela.
De acordo com os balancetes consultados pela Líder Magazine, o Banco de Crédito do Sul (BCS) é, porventura, o exemplo mais eloquente desta inversão. No primeiro trimestre, o lucro da instituição cresceu 84,2 por cento, subindo de 4,50 mil milhões de kwanzas para 8,18 mil milhões, em confronto com o período homólogo de 2025.
A tendência não esmoreceu no segundo trimestre: o resultado fixou-se em 15,50 mil milhões de kwanzas — o equivalente a 16,98 milhões de dólares, traduzindo um avanço de 33,72 por cento.
O activo da entidade encerrou o semestre em 573,43 mil milhões de kwanzas (628,36 milhões de dólares), mais 11,85 por cento do que no período homólogo.
A carteira de títulos e valores mobiliários, não obstante uma quebra de 33,76 por cento face ao ano anterior, permanece a componente mais representativa do activo, com um peso de 35,49 por cento, ao passo que a rubrica “Outros Activos” surpreendeu com um crescimento de 793,41 por cento, passando a representar 23,40 por cento do total.
No que ao passivo diz respeito, este aumentou 9,72 por cento, para 483,46 mil milhões de kwanzas, com os recursos de clientes a manterem-se como a componente dominante, num peso de 91,20 por cento. Os fundos próprios do BCS, por seu turno, cresceram 23,15 por cento, situando-se agora em 74,48 mil milhões de kwanzas.
Também o Banco BIR surpreendeu pela positiva. Sob a liderança de Lígia Pinto Madaleno, a instituição registou, no primeiro trimestre, um lucro de 4,35 mil milhões de kwanzas — 4,77 milhões de dólares —, um crescimento de 15,23 por cento face aos 3,78 mil milhões apurados um ano antes.
O activo total disparou 32 por cento, fixando-se em 344,83 mil milhões de kwanzas (378,05 milhões de dólares), impulsionado sobretudo pela carteira de títulos e valores mobiliários, que subiu 59,26 por cento, para 152,41 mil milhões de kwanzas, passando a pesar 44,20 por cento no activo.
O crédito concedido a clientes evoluiu de forma mais comedida, com um crescimento de 3,74 por cento, para 65,16 mil milhões de kwanzas. Quanto ao passivo, que aumentou 38,78 por cento, para 268,35 mil milhões de kwanzas, os recursos de clientes representam 84,15 por cento do total, tendo os accionistas reforçado ainda os fundos próprios em 12,54 por cento, elevando-os a 72,13 mil milhões de kwanzas.
O Access Bank Angola, de capital maioritariamente nigeriano, encerrou o primeiro trimestre com um lucro operacional de 2,31 mil milhões de kwanzas — 2,54 milhões de dólares —, uma subida de 15,69 por cento relativamente ao período homólogo.
O activo do banco, liderado por Ricardo Matias Ferreira Petinga, cresceu 8,37 por cento, para 185,44 mil milhões de kwanzas (203,30 milhões de dólares). Ao contrário da generalidade dos concorrentes, o Access Bank optou por reduzir significativamente a sua exposição ao crédito, com a carteira concedida a clientes a recuar 21,19 por cento, para 21,40 mil milhões de kwanzas, o que representa apenas 11,54 por cento do activo.
O passivo aumentou 6,52 por cento, para 127,71 mil milhões de kwanzas, impulsionado pelo crescimento de 4,96 por cento nos recursos de clientes, que constituem 95,39 por cento do total. Os fundos próprios avançaram 12,59 por cento, para 55,40 mil milhões de kwanzas.
Nem tudo, porém, são boas notícias na banca de menor dimensão. Depois de uma sucessão de trimestres com crescimentos superiores a 300 por cento em 2024 e a mais de 50 por cento no segundo trimestre de 2025, o Banco Valor inverteu abruptamente a sua trajectória no arranque de 2026.
O lucro da instituição liderada por Gonçalo Madaleno recuou 40,4 por cento no primeiro trimestre, segundo apuramento do jornal Mercado — a quebra mais expressiva entre os bancos de menor dimensão analisados.
O valor absoluto do resultado trimestral não foi, contudo, divulgado nas fontes consultadas.
O Banco Comercial do Huambo (BCH), instituição regional vocacionada para o apoio às micro, pequenas e médias empresas, reportou um lucro de 4,08 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2026.
O resultado surge na sequência de um quarto trimestre de 2025 particularmente auspicioso, em que o banco alcançou o melhor desempenho da sua história — 14,83 milhões de dólares —, o valor mais elevado desde a sua fundação, em 2010. As restantes rubricas do balancete trimestral, nomeadamente activo, passivo e fundos próprios, não foram detalhadas nas fontes públicas consultadas.
Já o balancete oficial do Banco Comercial Angolano (BCA), relativo ao período compreendido entre 1 de Janeiro e 31 de Março de 2026, revela um activo de 178,55 mil milhões de kwanzas, acima dos 167,77 mil milhões registados no encerramento do exercício de 2025.
Entre as principais rubricas, sobressaem a caixa e disponibilidades — 30,40 mil milhões de kwanzas —, as aplicações em bancos centrais e outras instituições de crédito — 44,07 mil milhões — e a carteira de títulos e valores mobiliários, fixada em 65,99 mil milhões de kwanzas.
Refira-se que o BCA figurava, em exercícios anteriores, entre as instituições que necessitavam de reforçar o capital social, de modo a cumprir os mínimos exigidos pelo Banco Nacional de Angola.
O panorama que se desenha na banca de pequena e média dimensão insere-se, de resto, num contexto sectorial de contenção mais alargado. No seu conjunto, a banca comercial angolana fechou o primeiro trimestre de 2026 com um resultado líquido agregado de 253,4 mil milhões de kwanzas, uma quebra de 10,2 por cento face ao período homólogo — recuo que se explica, em larga medida, pela redução da rentabilidade dos dois maiores bancos do país: o BAI, com um decréscimo de 38,8 por cento, e o BFA, com uma retracção de 9,9 por cento.
Não fora este duplo revés, o sector teria, aliás, crescido seis por cento no trimestre. É precisamente neste espaço deixado vago pelos gigantes que a banca de média e pequena dimensão vem ganhando protagonismo: para além do BCS, também o Banco Yetu (mais 81,9 por cento), o BCI (mais 49,9 por cento) e o Standard Bank Angola (mais 10,8 por cento) registaram crescimentos assinaláveis no primeiro trimestre, ao passo que o Banco Sol protagonizou a recuperação mais notável do período, transitando de um prejuízo de 2,62 mil milhões de kwanzas para um lucro de 2,78 mil milhões.



