Em Angola, diz o povo, “o rio não avisa quando cresce”. E António Mosquito M’Bakassy é exactamente isso — um rio que cresceu sem alarido, sem discursos na praça pública, sem faixa de candidato nem fotografia em campanha.
Cresceu calado. Cresceu firme. E quando a gente deu conta, já o seu nome estava em quatro bancos, em dois países e em várias décadas de história económica deste país.
Natural da Calenga, lá na província do Huambo — terra de gente séria, de pessoas que sabem o que é o trabalho —, Mosquito começou ainda jovem a gerir a fazenda de sisal da Oliveira Barros & Cia. Não era o dono.
Era o responsável. Mas quando os donos apanharam os seus pertences e foram para Portugal, depois do 25 de Abril, não confiaram a firma a qualquer pessoa. Confiaram-na a ele. E ele não deixou morrer o que lhe puseram nas mãos.
Esse é o traço que define António Mosquito melhor do que qualquer curriculum: o homem honra o que assume. Numa terra onde tantos prometem e poucos cumprem, essa qualidade tem um valor que não se compra em nenhuma bolsa do mundo.
Família como Empresa, Empresa como Família
Quando chegou o tempo de construir o seu próprio grupo, Mosquito não foi buscar consultores de Lisboa nem executivos de fora. Chamou os filhos. Chamou os familiares próximos. E deu ao seu grupo empresarial um nome que conta essa história toda sem precisar de mais palavras: Mbakassy & Filhos. Ali está o pai. Ali estão os filhos. Ali está a ideia de que o negócio não é de um homem só — é de uma geração que se passa à seguinte.
Quatro Bancos. Uma visão. Um nome Só
Se os automóveis foram a porta de entrada, se o petróleo foi o salto que o projectou, foi na banca que António Mosquito mostrou que veio para ficar de vez. Em 1999, quando muitos empresários angolanos ainda olhavam para o sector financeiro como coisa de estrangeiro ou de Estado, Mosquito entrou no capital do Banco Comercial Angolano. Foi discreto, como é seu estilo. Mas foi.
Depois veio o Banco Sol. Depois o Banco Caixa Geral Angola — onde detém 12% do capital. E por último, em 2021, comprou a totalidade do BAI Microfinanças, com intenção declarada de o transformar num banco comercial pleno.
Discreto como o ouro que não brilha para todos
Quem conhece António Mosquito diz que ele não gosta de holofotes. A revista África Monitor definiu-o como “um senhor de uma vontade de valorização pessoal não muito comum no empresariado angolano.” Numa terra onde o dinheiro fácil corrompeu muitos, Mosquito construiu a sua solidez sobre outra coisa: a reputação de quem cumpre a palavra, de quem nunca filiou o seu nome a nenhum partido.


