Gerência convoca Assembleia para 5 de Outubro e admite acção judicial contra os gerentes indigitados.
A Candy Factory – Comércio e Indústria, Lda. vai propor aos sócios, em Assembleia-Geral marcada para 5 de Outubro, a destituição «com justa causa» dos gerentes indicados pela sócia NELT ANGOLA, Lda., abrindo ainda a porta a uma acção de responsabilidade civil contra os mesmos.
A convocatória, subscrita pelo gerente Federico Yves François Crespo, marca o momento mais tenso, até agora, do diferendo entre a gerência e a sócia NELT ANGOLA, Lda.
Segundo o texto da convocatória, a que a Líder Magazine teve acesso, os sócios serão chamados a deliberar, no ponto cinco da ordem de trabalhos, sobre a destituição dos gerentes nomeados por indicação da NELT ANGOLA. O ponto seguinte prevê a propositura, pela sociedade, de uma acção de responsabilidade civil contra os mesmos gerentes, «para ressarcimento dos danos eventualmente causados à Sociedade».
A Assembleia deverá também apreciar as relações contratuais mantidas entre a Candy Factory e a NELT ANGOLA, Lda., «e entidades com esta relacionadas», e deliberar sobre as medidas a adoptar.
A convocatória partiu de um pedido da sócia Edine Maria Matos de Jesus Lopes Crespo, ao abrigo do artigo 10.º dos Estatutos da sociedade, e invoca os artigos 275.º e 276.º da Lei das Sociedades Comerciais (Lei n.º 1/04, de 13 de Fevereiro). Prevê-se já uma segunda convocatória, para 21 de Outubro, pelas 11h00, caso não se reúna quórum na primeira sessão.
A documentação relativa aos contratos com a NELT ANGOLA, bem como as propostas do gerente sobre os assuntos da ordem de trabalhos, estará disponível para consulta dos sócios na sede social a partir de 18 de Setembro.
A Candy Factory foi fundada em 2018, numa parceria entre o empresário francês Federico Crespo, radicado em Angola desde 1990 e actual gerente e CEO da empresa, e o grupo sérvio Nelt Group, presente em Angola desde 2011 através da Nelt Angola, Lda., distribuidora de marcas como P&G, Mars, Nestlé e SC Johnson.
Crespo é também fundador da Oxbow, empresa de distribuição e gestão de marcas fundida em 2024 com a Atlas Group, e está ligado, através da esposa, aos restaurantes Coconuts e Café del Mar, na Ilha de Luanda.
A fábrica, instalada na Zona Económica Especial de Luanda, resultou de um investimento superior a 15 mil milhões de kwanzas, incluindo a aquisição, em 2020, do imóvel onde opera, no âmbito do Programa de Privatizações (PROPRIV).
A empresa produz rebuçados, sambapitos e pastilhas elásticas sob a marca OKO — a primeira marca angolana de confeitaria de açúcar —, além das marcas Kwatas e Jacaré, esta última ainda por lançar.
Com capacidade instalada superior a 6.700 toneladas por ano e equipamento industrial de origem alemã, francesa e holandesa, a Candy Factory emprega cerca de 150 pessoas, mais de 90% angolanas, e tornou-se a primeira empresa a exportar confeitaria de açúcar nacional, estando já presente em três países da região. A sociedade não divulga publicamente dados de facturação.



