Dados agora divulgados pela GlobalPetrolPrices, relativos ao mês de Junho, colocam Angola entre os seis países africanos onde o preço do gasóleo é mais baixo. O litro do combustível é vendido, em média, a 0,823 dólares, o que confere ao país a 17.ª posição na tabela mundial e o 6.º lugar no ranking do continente africano.
A presença de Angola neste grupo restrito não constitui novidade para quem acompanha o sector petrolífero. Como um dos principais produtores de crude do continente, o país dispõe de reservas próprias que lhe permitem praticar preços mais competitivos junto do consumidor final, ficando assim menos exposto às flutuações do mercado internacional de petróleo. É uma característica que Angola partilha com outras economias exportadoras, casos da Líbia, da Argélia e do Egipto, que ocupam justamente os três primeiros lugares da tabela africana.
Angola surge, ainda assim, atrás destes três mercados, facto que os especialistas atribuem a diferenças ao nível da política de subsídios praticada por cada Estado, da capacidade instalada de refinação e da carga fiscal que incide sobre os combustíveis.
À cabeça da tabela está a Líbia, cujo litro de gasóleo custa apenas 0,024 dólares — valor artificialmente baixo, sustentado por um regime de fortes subsídios estatais. Seguem-se a Argélia, com 0,233 dólares, e o Egipto, com 0,409 dólares. Depois destes três mercados surgem o Sudão, com 0,656 dólares, e a Tunísia, com 0,757 dólares, antes de se chegar a Angola. Fecham a lista dos dez mercados mais baratos do continente o Gabão, com 1,017 dólares, o Níger, com 1,094 dólares, a República Democrática do Congo, com 1,136 dólares, e a Etiópia, com 1,139 dólares — valores já próximos da média mundial, que se situa nos 1,50 dólares por litro.
Segundo analistas do sector energético consultados, a conjugação entre reservas próprias de crude e a intervenção do Estado na formação do preço dos combustíveis constitui o principal factor explicativo do valor praticado em Angola — tanto mais evidente quando comparado com países vizinhos da região austral do continente, fortemente dependentes da importação de derivados de petróleo e sujeitos a preços bastante mais elevados, agravados pela instabilidade cambial.
Trata-se de uma vantagem competitiva com implicações directas sobre a economia angolana, nomeadamente nos custos de transporte, de logística e de produção nos sectores agrícola e industrial, tradicionalmente muito dependentes do gasóleo.
Fonte: GlobalPetrolPrices



