Angola vai receber, em 2027, a primeira edição da Global Africa Investment Summit, cimeira co-fundada pelo nigeriano Akinwumi Adesina, ex-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
O anúncio foi feito por Akinwumi Adesina a 29 de maio de 2026, no lançamento da iniciativa. «Esta cimeira marca uma viragem decisiva. Vai atrair o capital internacional necessário para desbloquear o valor dos activos africanos e criar oportunidades para o nosso povo», afirmou.
A iniciativa surge alinhada com o discurso que o economista nigeriano tem defendido nos últimos anos: uma reforma da arquitectura financeira internacional, maior utilização dos balanços dos bancos multilaterais e canalização de capital privado para o continente. «África não precisa de ajuda, precisa de investimento», resume.
A 15 de junho, Adesina assumiu formalmente a presidência do conselho do Diamonds for Development Fund, veículo criado pelo governo do Botswana em parceria com a De Beers para preparar a economia do país além da exploração diamantífera.
Os diamantes representam 25% do PIB do Botswana, 33% da receita fiscal do país e 80% das exportações totais. Com os preços da pedra preciosa pressionados pela concorrência das gemas sintéticas e por uma procura mais fraca, o PIB do Botswana contraiu-se em 2025, pelo segundo ano consecutivo.
O novo fundo deverá financiar infra-estruturas, tecnologia, indústria, inovação e apoio a PME. Sob a liderança de Adesina, o BAD reporta ter melhorado o acesso à electricidade a 28 milhões de pessoas e a água potável a mais de 63 milhões de africanos, além de ter emitido, durante a pandemia, uma obrigação social de 3 mil milhões de dólares a maior alguma vez lançada no mercado. «O seu currículo ao serviço do desenvolvimento de África é notável, e a sua rede internacional (…) fazem dele o presidente ideal para conduzir este trabalho», declarou Al Cook, CEO da De Beers.
A cimeira que chega a Angola faz concorrência directa ao Fórum de Investimento Africano, criado por Adesina enquanto liderava o BAD — iniciativa que, segundo um responsável do banco citado pela The Africa Report, «foi um fracasso».
Adesina, de 66 anos, tem também sido apontado como possível candidato a secretário-geral da ONU, com a saída de António Guterres prevista para o final do ano, e o seu nome continua associado a especulação política na Nigéria, ainda que uma candidatura presidencial pareça improvável a curto prazo.
Em paralelo, o economista reforçou a sua presença no sector privado: em maio, foi nomeado para o conselho de supervisão da Jumia, gigante africana de comércio electrónico cotada na bolsa de Nova Iorque.
Para os próximos dois anos, a pergunta que fica no mercado é se Adesina conseguirá transformar o seu discurso sobre investimento em resultados concretos — tanto à frente do fundo do Botswana, como na cimeira que vai trazer a Luanda.



