À frente da Bolsa de Dívida e Valores de Angola desde 2025, Cristina Giovanna Dias Lourenço preside à Comissão Executiva da instituição, tendo assumido a liderança num momento em que o mercado de capitais angolano entrou numa fase de forte expansão e consolidação.
Licenciada em Gestão pela London School of Economics and Political Science (LSE), em Londres, e mestre em Gestão de Investimentos pela Pace University, Lubin School of Business, em Nova Iorque, iniciou a sua carreira profissional na área de Banca de Investimentos do BAI, antes de ingressar na BODIVA em 2014, como analista de mercados.
Passou pelo Ministério das Finanças entre 2016 e 2020, e regressou à BODIVA como Administradora Executiva, assumindo a presidência interina da Comissão Executiva em fevereiro de 2025 e sendo efetivada no cargo, por um mandato de quatro anos, em março do mesmo ano.
Sob a sua liderança, a BODIVA registou, em 2025, um volume negociado de 5,725 biliões de kwanzas, através de 37.156 negócios — um crescimento de 259,76% no número de transações face aos 10.328 negócios registados em 2024.
O montante sob custódia da instituição atingiu, no mesmo período, 17,14 biliões de kwanzas, um aumento de 44,99% face ao ano anterior. Já em 2026, a trajectória de crescimento manteve-se: até 10 de agosto, o volume negociado alcançou 5,80 biliões de kwanzas, superando a totalidade do volume negociado ao longo de todo o ano de 2025, com mais de quatro meses ainda por decorrer no exercício.
O número de empresas cotadas na bolsa subiu de quatro para seis. Em setembro de 2025, deu-se o IPO do Banco de Fomento Angola (BFA), com a venda de 29,75% das ações do banco no âmbito do programa de privatizações PROPRIV — a operação mais importante do mercado acionista angolano nesse ano.
As cinco empresas então cotadas registaram, em 2025, um lucro agregado de 585,5 mil milhões de kwanzas, um crescimento de 178% face ao ano anterior. Já em julho de 2026, a Unitel protagonizou a maior Oferta Pública Inicial de sempre na BODIVA e a primeira grande IPO realizada em África nesse ano: a colocação de 15% do capital social da operadora gerou uma procura que superou a oferta em 120%, permitindo ao Estado angolano encaixar cerca de 300 milhões de euros.
As ações estrearam-se em bolsa a 29 de julho de 2026 com uma valorização de 24,88% face ao preço inicial.
Cristina Lourenço tem defendido publicamente a necessidade de trazer mais empresas à bolsa, estando ainda previstas, no âmbito do PROPRIV, as privatizações da TV Cabo Angola, da SBA e do Standard Bank Angola, além de participações na Sonangol e na Endiama, com IPO previsto para 2026 — um conjunto de listagens que deverá elevar o número de empresas cotadas na BODIVA para nove nos próximos anos.



