A capital angolana vai acolher em Outubro a primeira edição da Agritech Show Luanda, apresentada como a maior feira agrícola internacional da África Subsariana.
O evento, promovido pela entidade organizadora Global Wide, foi apresentado esta terça-feira e prevê reunir cerca de 150 participantes oriundos de 15 países, entre produtores, fornecedores de insumos, consultoras técnicas, instituições financeiras e fabricantes de máquinas e equipamentos.
A iniciativa foi concebida para dar resposta a um sector que, apesar da sua relevância estratégica para a economia angolana, continua “muito abaixo do seu potencial produtivo”. Entre os principais constrangimentos identificados estão a falta de qualificação técnica, o baixo nível tecnológico e de mecanização, o acesso limitado a financiamento, as fragilidades logísticas e as dificuldades no escoamento da produção.
“A Agritech Show Luanda foi desenhada para ligar quem produz, quem financia e quem desenvolve soluções. O foco está na execução e na capacidade de transformar potencial agrícola em produção efectiva”, sublinhou Paulo Fardilha, coordenador da Global Wide.
A feira integra igualmente uma componente de ligação aos mercados externos, com enfoque na organização da produção e na criação de canais de escoamento mais eficientes. Entre os eixos de actuação destacam-se as novas tecnologias integradas com sistemas de informação, monitorização e gestão, bem como modelos de financiamento ajustados à realidade dos investidores angolanos.
Estão confirmadas presenças de África do Sul, Alemanha, Áustria, Botsuana, Brasil, Canadá, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Estados Unidos da América, França, Itália, Países Baixos, Portugal, Reino Unido e Zâmbia.
De acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento, a factura de importação de alimentos em África ascende actualmente a 75 mil milhões de dólares anuais apenas em cereais.
Este custo poderá converter-se numa oportunidade de mercado avaliada em 1 trilião de dólares até 2030, através do reforço da produção interna e do investimento em cadeias agrícolas inteligentes.
Para a Global Wide, Angola tem de romper com aquilo que o comunicado descreve como uma “causalidade circular”: não se produz porque não existe mercado nem agroindústria, e não há agroindústrias porque não existe produção suficiente.
A Agritech Show Luanda pretende ser o ponto de ruptura com esse ciclo, com enfoque tanto na agricultura empresarial como na pequena agricultura, com o objectivo de tornar Angola uma base estratégica do agronegócio na África Subsariana.


