A desmaterialização das acções da Unitel na Central de Valores Mobiliários (CEVAMA) confirmou o que o mercado já antecipava: a maior operadora de telecomunicações de Angola está a preparar a sua entrada na bolsa, num processo que aponta para o arranque entre Junho e Setembro de 2026.
A Unitel terá 15% do capital social privatizado através de uma Oferta Pública Inicial na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA).  Desta percentagem, 2% estão reservados para os trabalhadores e membros dos órgãos sociais da empresa. 
A empresa é detida na totalidade pelo Estado angolano: 50% através do IGAPE e os restantes 50% ligados ao universo Sonangol, após a nacionalização das participações da Vidatel e da Geni em Outubro de 2022.  As participações pertenciam à empresária Isabel dos Santos e ao general Leopoldino Fragoso do Nascimento, conhecido como “Dino” — duas das figuras mais controversas do capitalismo angolano da era Dos Santos.
Os resultados líquidos dispararam 183% para 99,4 mil milhões de kwanzas em 2024, face aos 34,6 mil milhões registados em 2023. Em dólares, os lucros cresceram 161%, ao passar de 41,7 milhões para 109 milhões de dólares.  Em 2025, o crescimento continuou: os lucros atingiram 158,4 mil milhões de kwanzas, com os resultados operacionais a mais do que triplicar, crescendo 288% para 66 mil milhões de kwanzas. A operadora conta actualmente com cerca de 20,8 milhões de clientes e uma quota de mercado de 76%. 
Vale, contudo, assinalar uma nota de cautela: os resultados operacionais — os que decorrem directamente da actividade de telecomunicações — ficaram-se pelos 17 mil milhões de kwanzas em 2024, menos de 20% do lucro total reportado.  Uma parte significativa dos lucros resulta dos dividendos da participação de 51,9% que a Unitel detém no BFA, o segundo maior banco em activos do sistema financeiro angolano.
A privatização da Unitel tem um historial de adiamentos. O processo estava inicialmente previsto para o primeiro semestre de 2025, tendo sido sucessivamente adiado no âmbito do PROPRIV 2023-2026. 
A desmaterialização agora concretizada é o sinal mais concreto de que desta vez o processo avança — e o mercado está a observar.



