A sociedade petrolífera estatal argelina Sonatrach iniciou, pela primeira vez, o fornecimento de combustível de aviação Jet A1 ao Níger, dando corpo a uma nova rota de abastecimento destinada ao Sahel e criando, desta forma, mais um concorrente à Refinaria Dangote, da Nigéria, num momento em que a companhia argelina alarga a sua presença comercial pela África Ocidental.
Segundo dá conta a própria Sonatrach, as primeiras remessas contratuais tiveram início no passado dia 15 de Agosto, tendo partido da sua refinaria de Adrar, conhecida pela sigla RA1D, com destino ao mercado nigerino, no âmbito de um acordo de compra e venda firmado com a SONIDEP, empresa petrolífera do Estado do Níger. A operação assinala, assim, o arranque efectivo da cooperação comercial entre as duas congéneres.
A companhia argelina fez saber que esta iniciativa se inscreve num esforço mais vasto de Argel no sentido de reforçar os laços comerciais com o Níger, tendo salientado que o acordo agora firmado traduz o seu interesse numa cooperação directa com as empresas africanas do sector petrolífero e gasífero, nomeadamente na região do Sahel.
De acordo com a Sonatrach, este passo poderá abrir caminho ao fornecimento regular de produtos petrolíferos argelinos a outros países da região, dotando o Níger de mais uma fonte de abastecimento de combustível de aviação, ao mesmo tempo que Argel consolida a sua presença no sector da distribuição em toda a área do Sahel.
Refira-se que as remessas de Jet A1 se inserem numa cooperação de âmbito mais alargado entre a Sonatrach e a SONIDEP.
No dia 14 de Agosto, as duas empresas haviam já procedido ao carregamento da sua primeira remessa conjunta de petróleo bruto Meleck do Níger, proveniente do terminal de Sèmè, na República do Benim, o que vem demonstrar que a relação entre ambas se desenvolve tanto no plano da comercialização do crude como no do fornecimento de produtos refinados.
O presente desenvolvimento poderá revestir-se de ainda maior significado caso a Sonatrach venha a estender este modelo de fornecimento a outros mercados do Sahel desprovidos de litoral.
Recorde-se que a Argélia já havia explorado, com o Burkina Faso, uma cooperação de maior alcance no domínio do fornecimento de produtos petrolíferos, ao passo que a sua distribuidora, a Naftal, manteve conversações com vista ao fornecimento de gasolina sem chumbo, querosene de aviação e gás liquefeito de petróleo ao Níger.
Um posicionamento que coloca, deste modo, a Argélia numa via cada vez mais directa de concorrência com a refinaria da Dangote pelos mercados regionais de combustíveis.
A Dangote, por seu turno, tem vindo a afirmar a sua refinaria, dotada de uma capacidade de 700 mil barris diários, como importante fornecedora tanto para o continente africano como para os mercados internacionais.
A empresa nigeriana garante que a sua unidade fabril produz combustível de aviação e exporta querosene de aviação para a Europa, os Estados Unidos da América e outros destinos internacionais, inscrevendo-se esta actividade numa estratégia mais vasta que visa pôr a capacidade de refinação da Nigéria ao serviço do abastecimento dos mercados africanos, reduzindo, assim, a dependência do continente face aos derivados de petróleo importados.
Segundo declarações dos próprios responsáveis da Dangote, a refinaria produz cerca de 20 milhões de litros de combustível de aviação por dia, ficando o excedente, face ao consumo nigeriano, disponível para exportação.
A companhia deu ainda conta de recentes exportações de produtos refinados para os Camarões, o Gana, Angola e a África do Sul, para além do combustível de aviação, largamente exportado para os mercados europeus.
A entrada da Sonatrach neste mercado vem, pois, introduzir mais um importante fornecedor norte-africano numa região onde a Dangote tem procurado erigir uma posição de domínio.
A primeira remessa de querosene de aviação da Sonatrach não constitui, ainda, um desafio ao domínio regional da refinaria nigeriana. Não obstante, as declarações da companhia argelina, segundo as quais o acordo com o Níger poderá conduzir ao fornecimento regular de derivados de petróleo a outros países do Sahel, levam a crer que a Argélia se prepara para assumir um papel de maior relevo.
Para o mercado de combustíveis da África Ocidental, tal poderá significar o despontar de uma nova disputa, não apenas entre refinarias, mas também entre redes regionais de abastecimento concorrentes.



