O Porto do Namibe registou, na passada segunda-feira, dia 10, um momento de grande significado para a sua história operacional, com a realização da primeira operação de carga no Cais 4 do novo Terminal de Contentores. Trata-se do arranque efectivo da exploração comercial de uma infra-estrutura que, recorde-se, havia já sido formalmente inaugurada pelo Presidente da República, João Lourenço, em Outubro de 2025, no âmbito de um vasto programa de modernização das infra-estruturas portuárias do país.
O acontecimento, que muitos classificam de histórico, representa o início de uma nova etapa para o sector portuário no sul de Angola, região que aposta decididamente na diversificação da sua actividade económica através do reforço das capacidades logísticas e de transporte marítimo.
Segundo apurou a Líder Magazine, o terminal recebeu, na referida data, o seu primeiro navio de carga contentorizada, proveniente do Porto do Lobito. A embarcação, operada pela companhia MSC (Mediterranean Shipping Company), com cerca de 250 metros de comprimento, tinha prevista a descarga de 518 contentores, operação que contou com o recurso às modernas gruas Ship-to-Shore (STS), instaladas sobre os carris do novo cais.
De acordo com informação recolhida junto de fontes ligadas ao projecto, o Cais 4 é fruto do designado “Pacote 2” do Projecto de Desenvolvimento Integrado da Baía de Moçâmedes, obra orçada em 600 milhões de dólares norte-americanos, financiada pelo Japão e coordenada pela Toyota Tsusho Corporation, a qual contemplou igualmente a reabilitação do Terminal Mineiro do Sacomar.
Trata-se de um cais de betão armado, com cerca de 322 metros de comprimento por 27 de largura, assente sobre 224 estacas metálicas de 1,10 metros de diâmetro, dimensões que lhe conferem capacidade para acolher navios de grande porte.
O parque de contentores ocupa uma área na ordem dos 45 mil metros quadrados, servido por gruas RTG (Rubber Tyred Gantry), enquanto a zona de acesso, com cerca de 12 mil metros quadrados, concentra o edifício administrativo, básculas, portarias e o respectivo sistema de raio-X.
Refira-se, a propósito, que o investimento se insere num corredor logístico de maior amplitude, prevendo-se a sua futura ligação ao Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, com vista a estabelecer uma via de comunicação directa entre o sul de Angola, a Zâmbia e a Namíbia, colocando, desta forma, o Porto do Namibe ao nível de capacidade dos congéneres de Luanda e do Lobito.
Mais do que uma simples operação portuária, este momento simboliza a capacidade, a tecnologia e a eficiência que o Porto do Namibe passa, a partir de agora, a colocar ao serviço do desenvolvimento económico de Angola, reforçando, de forma inequívoca, o papel da região sul no comércio marítimo nacional.



