Silvestre Tulumba Tyihongo Kapose é um dos empresários angolanos mais proeminentes da sua geração, cuja trajectória singular — de taxista a líder de um conglomerado multissectorial — ilustra com rara clareza o papel das relações de poder na ascensão económica em Angola.
Nascido em 1981 na província da Huíla, iniciou a sua actividade profissional como motorista de táxi. Em 2002, deu o primeiro passo empresarial ao garantir contratos de transporte com o governo provincial da Huíla — uma porta aberta, em grande medida, pela proximidade com o General Kundi Paihama, antigo ministro da Defesa Nacional e figura influente do MPLA na era dos Santos. Essa ligação revelou-se determinante para a expansão dos seus negócios ao longo da década seguinte.
Favorito de dois presidentes, Tulumba acumulou contratos públicos de grande envergadura.
Com a transição para João Lourenço — a quem visitava com frequência antes das eleições de 2017 — mantém o estatuto de empresário de confiança do Estado.
No sector financeiro, fundou em 2015 o Banco de Crédito do Sul (BCS) em parceria com o seu irmão Rafael Arcanjo Kapose, actual presidente executivo.
A estrutura accionista do banco reflecte a gestão familiar característica do grupo: Rafael Arcanjo Kapose detém 47%, Francisca Kamia Kapose 45%, Severiano Tyihongo Kapose 5%, Maria do Céu Figueira 2,5% e Sebastião João Manuel 0,5%.
A presidência não executiva é ocupada pela ex-vice-governadora do Banco Nacional de Angola, Cristina Florência Dias Van-Dúnem.
Tulumba, mantendo distância da gestão directa, concentra-se na condução estratégica do grupo.
Para além da banca, o Grupo S. Tulumba Investimentos e Participações actua em sete sectores: indústria alimentar, imobiliário e construção, transportes, turismo e eventos, agronegócio, comércio e retalho.
O projecto de maior envergadura é o Complexo Industrial do Kikuxi (POIBA), em Luanda, avaliado em mais de 600 milhões de dólares, vocacionado para a produção de alimentos e produtos de higiene.
É ainda intermediário privilegiado no fornecimento de viaturas ao Estado, através das empresas Coreauto e Dalp — esta última propriedade do seu irmão Félix Ramalhete Tyihongo Kapose.
Em setembro de 2021, assinou com o Supremo Tribunal um contrato de cinco anos para o fornecimento de 629 veículos, no valor de cerca de 50 milhões de dólares.
“Por detrás de uma grande fortuna, há sempre um grande favor.”


