Luís Filipe Rodrigues Lélis não é apenas o Presidente da Comissão Executiva do Banco Angolano de Investimentos. É também accionista.
Com uma participação de 6,33% no capital do banco que lidera, Lélis senta-se confortavelmente dos dois lados da mesa — o lado de quem decide e o lado de quem recebe.
E em 2025, receber do BAI foi um privilégio de dimensão histórica.
Licenciado em Finanças e Marketing pela Universidade de Michigan, EUA, Lélis construiu a sua carreira com a paciência de quem sabe exactamente para onde vai.
Passou pela Sonangol, assessorou o Ministro das Finanças, administrou telecomunicações e chegou ao BAI em 2004 como assistente.
Em 2006 já era administrador. Em 2018, presidente executivo. Uma trajectória sem tropeços visíveis — o que, em Angola, é em si mesmo uma conquista notável.
Reunidos a 25 de Março, os accionistas do BAI aprovaram a distribuição de Kz 147,8 mil milhões em dividendos — 50% de um lucro líquido de Kz 295,6 mil milhões, auditados, que representa um crescimento de 100% face ao ano anterior.
O BAI é hoje a instituição mais lucrativa do sector bancário angolano e a entidade mais rentável entre as cotadas na BODIVA.
Feitas as contas, os 6,33% de Lélis no capital do banco traduzem-se numa fatia considerável desses Kz 147,8 mil milhões. O pagamento foi efectuado a 13 de Abril de 2026, com o BAI a actuar como banco liquidatário.
A Assembleia deliberou ainda sobre o aumento do capital social em Kz 348,1 mil milhões, a alteração parcial dos Estatutos, a nomeação do auditor externo para o período 2026–2029 e a eleição dos órgãos sociais para o mesmo período.
Nos seus pelouros — Gabinete de Sustentabilidade, Direcção de Capital Humano e Programa de Transformação Estratégica — reflecte-se a visão de um gestor que pensa a longo prazo.
Preside também ao Conselho de Administração do Banco BAI Europa, integra a Comissão de Remunerações do BAI Cabo Verde e é Membro do Conselho Superior da Fundação BAI.
Alinhamento de interesses, dizem os manuais de governação corporativa, é quando o gestor tem pele no jogo. Luís Lélis tem. E o jogo, pelo menos em 2025, correu-lhe muito bem.


