África foi o continente mais penalizado nos pedidos de visto para o Mundial 2026, com taxas de recusa que chegaram a superar os 96% nalguns países, segundo dados oficiais do Departamento de Imigração, Refugiados e Cidadania do Canadá (IRCC).
Entre 14 de Novembro de 2025 e 31 de Março de 2026, o Canadá processou cerca de 17 mil pedidos de visto temporário e autorização electrónica de viagem ligados ao Mundial, provenientes de mais de 160 países, mas apenas 41% foram aprovados.
A República Democrática do Congo lidera a lista negra: dos 385 pedidos submetidos, apenas 15 foram aprovados e 370 recusados, uma taxa de rejeição de 96,1%. Segue-se o Quénia, com 91,1% de recusas — 20 aprovações em 225 pedidos — e o Gana, que apesar de ser o país com maior número total de pedidos (1.725), viu apenas 11% serem aprovados.
A Nigéria, maior nação africana em população, também ficou entre as mais afectadas, com 675 recusas em 785 pedidos, uma taxa de 86%. Já o Egipto registou a recusa mais baixa entre os países africanos analisados, com 59,1% — 225 aprovações e 325 recusas, num total de 550 pedidos.
O contraste com outras regiões do mundo é acentuado.
Países cujas selecções jogaram no Canadá — como Austrália, Croácia, Alemanha, Bélgica, Suíça, Catar e Nova Zelândia — tiveram todos, ou quase todos, os pedidos de visto aprovados.
A explicação está, em parte, no sistema de entrada: os cidadãos de países elegíveis para Autorização Electrónica de Viagem (eTA) foram aprovados em 96% dos casos, enquanto a taxa de aprovação caiu para apenas 32% nos países que exigem visto tradicional em papel — categoria onde se inserem praticamente todos os países africanos.
O IRCC não divulga publicamente os motivos individuais de recusa, mas as avaliações baseiam-se geralmente no propósito da viagem, estabilidade financeira, qualidade da documentação e cumprimento das condições de imigração.
O caso mais mediático foi o do médio ganês Thomas Partey, impedido de entrar no Canadá antes do jogo de abertura da sua selecção, alegadamente por enfrentar acusações de violação no Reino Unido, que nega.



