Os órgãos de comunicação social pública continuam a ser as maiores beneficiárias dos subsídios operacionais atribuídos pelo Estado às empresas do Sector Empresarial Público (SEP).
Segundo apurou a Líder Magazine, a Televisão Pública de Angola (TPA) lidera a lista com um total acumulado de 33,0 mil milhões de kwanzas entre 2023 e 2025, seguida da Rádio Nacional de Angola (RNA), com 27,2 mil milhões, e das Edições Novembro, com 19,8 mil milhões.
Completam o grupo de maiores beneficiárias a Angop (13,6 mil milhões), a TV Zimbo (9,8 mil milhões) e a ENBI (8,9 mil milhões), confirmando o predomínio do universo da imprensa e comunicação social pública no total de subsídios distribuídos pelo Estado ao longo do triénio.
O total de subsídios operacionais do SEP cresceu de forma consistente ao longo do período: 44,8 mil milhões de kwanzas em 2023, 46,3 mil milhões em 2024 e 49,0 mil milhões em 2025, uma subida de 6% no último ano, que reflecte em boa parte o peso das empresas de comunicação social e transportes no total distribuído pelo Estado.
Os subsídios inserem-se num quadro mais amplo de balanço às contas do SEP, composto por 86 empresas activas, das quais 78 apresentaram contas relativas a 2025.
No conjunto, o sector registou um resultado líquido agregado de 949,0 mil milhões de kwanzas — o valor mais elevado da série 2023-2025.
A análise por rubricas mostra que os resultados operacionais, incluindo a indústria extractiva, recuaram para 411,3 mil milhões de kwanzas em 2025, depois de 982,2 mil milhões em 2024.
Em contrapartida, os resultados financeiros dispararam para 601,1 mil milhões de kwanzas, revertendo o saldo negativo de -281,4 mil milhões registado no ano anterior.
Sem o peso das indústrias extractivas, o sector inverteu os resultados operacionais negativos de 2023 e 2024, fechando 2025 com 18,5 mil milhões de kwanzas, e o resultado líquido também foi positivo, em 57,4 mil milhões de kwanzas.
No mesmo ano, o Estado reforçou significativamente o apoio financeiro directo às suas empresas: as capitalizações realizadas cresceram 85%, passando de 147,3 mil milhões de kwanzas em 2024 para 271,9 mil milhões em 2025.
Do lado das empresas capitalizadas, a TAAG acumulou 135,1 mil milhões de kwanzas entre 2023 e 2025, muito por via dos 121,4 mil milhões injectados em 2023. A BDA surge logo a seguir, com 133,5 mil milhões de kwanzas, impulsionada sobretudo pelos 124,9 mil milhões capitalizados em 2025. Seguem-se a ENDE (24,1 mil milhões), o RNT e a PRODEL (22,0 mil milhões cada) e a BIOCOM (21,4 mil milhões).
O activo total do SEP atingiu 47.861,1 mil milhões de kwanzas em 2025, face a 39.579,2 mil milhões em 2024. O passivo acompanhou esta trajectória ascendente, fixando-se em 29.999,2 mil milhões de kwanzas.
Excluindo o efeito das indústrias extractivas, activo e passivo situaram-se em 17.353,1 e 10.041,8 mil milhões de kwanzas, respectivamente. O capital próprio total do sector também cresceu, de 14.553,4 mil milhões de kwanzas em 2024 para 17.861,9 mil milhões em 2025. Sem a indústria extractiva, este indicador mais do que duplicou face a 2024, passando de 3.208,9 para 7.311,2 mil milhões de kwanzas.
Ao contrário dos subsídios e das capitalizações, os dividendos propostos ao accionista Estado caíram significativamente ao longo do período: de 1.054,8 mil milhões de kwanzas em 2023 para apenas 75,6 mil milhões em 2025.
Os dividendos efectivamente recebidos seguiram trajectória semelhante, de 62,1 mil milhões em 2023 para 6,5 mil milhões em 2025. Ainda assim, ao nível dos dividendos propostos por empresa em 2025, a Sonangol, E.P. lidera destacadamente o ranking, com um total acumulado no triénio de 1.093,3 mil milhões de kwanzas, seguida das Participações Minoritárias (108,5 mil milhões) e da Unitel, S.A. (34,3 mil milhões).
O documento assinala ainda uma evolução na qualidade e quantidade dos relatórios e contas apresentados pelas empresas do SEP nos últimos dez anos, período em que era “muito difícil ter informação credível” sobre as contas das empresas públicas.
Em 2025, das 79 empresas activas no sector, 78 apresentaram contas e apenas uma não o fez. Destas 78, 76 elaboraram também relatórios de gestão, 67 incorporaram relatórios de auditor externo e 64 juntaram o parecer do Conselho Fiscal.
Do universo de 79 entidades que prestaram contas ao IGAPE, 42 tiveram as suas demonstrações financeiras aprovadas com reservas — mais duas do que em 2024, o que indicia a necessidade de reforçar a qualidade da gestão e das contas no sector.



