A Equinor vai mudar a liderança das suas operações no Brasil e em Angola. Veronica Coelho, que há cinco anos presidia a operação brasileira, assume agora o comando da Equinor em Angola.
A substituição entra em vigor a 17 de Agosto, confirmou a petrolífera norueguesa. O lugar de Veronica Coelho no Brasil será ocupado por Nina Koch, actual vice-presidente da Equinor para a África, com experiência de liderança das operações da empresa em Angola, na Tanzânia e no Reino Unido.
Nascida e criada no Rio de Janeiro, Veronica Coelho é da primeira geração da sua família a frequentar o ensino superior. Antes de entrar no sector petrolífero, passou por funções de gestão na Arthur Andersen e na Deloitte, ingressando depois na Norsk Hydro em Novembro de 2006 — multinacional norueguesa adquirida pela então Statoil um mês depois.
Entrou formalmente na Equinor em 2007 e passou por vários cargos de liderança, incluindo o de vice-presidente sénior de Estratégia e Portfólio e membro do comité executivo da Equinor Brasil, além de um ano na Noruega como assessora especial do Chief Financial Officer do grupo.
Assumiu a presidência da Equinor Brasil a 1 de Fevereiro de 2021, sucedendo a Leticia Andrade, que geria a operação interinamente desde a saída de Margareth Øvrum, após 39 anos na empresa.
Em quase cinco anos à frente da Equinor Brasil, Coelho liderou decisões estratégicas como a aprovação final de investimento do Projecto Raia — o maior investimento da companhia fora da Noruega, que deverá injectar 16 milhões de metros cúbicos diários de gás natural na produção brasileira.
A executiva é também uma voz activa sobre equidade de género no sector petrolífero, defendendo que os homens sejam aliados na causa, tanto em casa como no trabalho. Aponta a licença-paternidade alargada — de 16 semanas, em vez dos habituais 5 a 20 dias praticados no Brasil — como uma forma concreta de reduzir a sobrecarga sobre as mulheres e o enviesamento na contratação feminina, e descreve a sociedade brasileira como “ainda muito patriarcal” na divisão das tarefas domésticas, em contraste com a Noruega.
A nova função de Coelho em Angola é descrita pela Equinor como de “central relevância no portfólio internacional da companhia”. A petrolífera está presente no nosso país desde 1991 e participa actualmente em três blocos offshore produtivos, com produção equivalente a cerca de 110 mil barris diários em 2024. O Bloco 17 — o “Golden Block” — gera 70% da produção local da empresa, com licença até 2045.
A mudança de liderança ocorre num momento de expansão da aposta angolana da Equinor: em Junho, a empresa anunciou planos para intensificar a exploração no país, e fechou a aquisição de 30% do Bloco 16/21, até então detido a 100% pela TotalEnergies.
Angola consolida-se assim como o maior hub operacional da Equinor fora da Noruega. Coelho já foi vista na nova função durante a Gas Week 2026, em 28 de Abril.
Nina Koch traz décadas de experiência no sector energético, com passagem por funções de operações, finanças, estratégia e desenvolvimento de negócios, depois de liderar a organização da Equinor que abrange Angola, a Tanzânia e o Reino Unido.
A Equinor garante que a troca não altera o rumo das operações nos dois países e integra o processo normal de sucessão de quadros do grupo.



