O Relatório e Contas de 2025 da SanlamAllianz Angola revela que o empresário angolano Gianni Policarpo Gaspar Martins é o segundo maior accionista da seguradora, com uma participação directa de 19,42% do capital social logo atrás do grupo Sanlam Allianz Participations, que detém 70%.
Segundo apurou a Líder, a exposição de Gianni Policarpo Gaspar Martins ao capital da empresa vai, porém, além desta participação directa.
Através da Global Inn Investments S.A., que detém 10,51% do capital da seguradora, o empresário é ainda beneficiário último efectivo de 90% desta sociedade, por via da Fundação Gianni Gaspar Martins — que lhe pertence a 100%, somando uma participação pessoal adicional de 8,5% na mesma Global Inn Investments.
Os restantes 1,5% desta sociedade repartem-se, em partes iguais de 0,5% aos quatro filhos menores.
Um percurso construído sobretudo no sector petrolífero
Ainda que a sua presença na SanlamAllianz Angola seja pouco divulgada publicamente, Gianni Gaspar Martins é uma figura já conhecida no meio empresarial angolano, sobretudo pela sua ligação ao sector energético.
É fundador e director-geral da Alfort Petroleum, empresa que assumiu, em Novembro de 2022, o controlo do bloco onshore KON 8, um activo petrolífero de elevado potencial no país.
Gianni Gaspar Martins é filho de Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, actual presidente do Conselho de Administração da Sonangol. Essa relação familiar esteve na origem de críticas públicas, depois de se ter tornado conhecido que a petrolífera estatal financiou a Alfort Petroleum com 35 milhões de dólares para a exploração do referido bloco — situação apontada por vários órgãos de imprensa como um caso de conflito de interesses.
Confrontado com as acusações de nepotismo, o empresário respondeu publicamente que a sua posição resulta de mérito e de trabalho, defendendo o esforço necessário para atrair investimento estrangeiro responsável para Angola.
De segunda maior seguradora a perder terreno no mercado
A SanlamAllianz Angola — antiga Saham Angola Seguros, rebaptizada Sanlam em 2019 e SanlamAllianz em 2025 — foi, durante largos anos, a segunda maior seguradora do país, com uma quota de mercado próxima dos 15% entre 2019 e 2022.
Nos últimos anos, contudo, tem vindo a perder terreno: entre 2022 e 2024 recuou 2,32 pontos percentuais de quota, sendo ultrapassada pela Nossa Seguros, hoje segunda classificada, com 16,37%.
A companhia disputa actualmente a terceira e quarta posições com a Fidelidade Angola, num mercado ainda liderado, de forma destacada, pela estatal ENSA.
Regresso aos lucros em 2025
Apesar da perda de posição no ranking do mercado, os números financeiros de 2025 mostram uma recuperação: a SanlamAllianz Angola encerrou o exercício com um resultado líquido positivo de 1.500.709.934 kwanzas, invertendo o prejuízo de 1.817.594.025 kwanzas registado em 2024.
Os prémios adquiridos, líquidos de resseguro, cresceram cerca de 48%, para 34.629.069.819 kwanzas, impulsionados sobretudo pelo ramo Não Vida.
O activo líquido total da seguradora subiu para 68.599.525.988 kwanzas, mais 27% do que no ano anterior, e o capital próprio quase duplicou, passando de 3.927.680.571 kwanzas para 6.797.626.791 kwanzas.



